Tadeu (2016) sustenta que “É precisamente a questão do poder que vai separar as teorias tradicionais das teorias críticas e pós-críticas do currículo”. Assinale a opção que define corretamente a separação identificada pelo referido autor.
- A)As teorias tradicionais pretendem ser neutras, enquanto as críticas e as pós-críticas argumentam que toda teoria está inevitavelmente implicada em relações de poder.
Correta, porque opõe a pretensa neutralidade das teorias tradicionais à ideia de que currículo e teoria sempre envolvem relações de poder.
- B)As teorias tradicionais trabalham com conteúdos, enquanto as críticas e as pós-críticas focalizam somente nas habilidades.
Errada, porque a distinção não é entre conteúdos e habilidades, mas entre neutralidade aparente e análise crítica do poder no currículo.
- C)As teorias tradicionais pretendem ser científicas, enquanto as críticas e as pós-críticas defendem um desenvolvimento intuitivo das ações.
Errada, porque a oposição não é entre cientificidade e intuição, e sim entre uma visão técnica do currículo e uma leitura crítica das relações de poder.
- D)As teorias tradicionais adotam grades em sua organização, enquanto as críticas e as pós-críticas trabalham com a perspectiva espontaneísta da organização.
Errada, porque a organização em grades não separa teorias tradicionais de críticas e pós-críticas, além de a descrição das críticas como espontaneístas estar incorreta.
- E)As teorias tradicionais não valorizam o trabalho coletivo na escola, enquanto as críticas e as pós-críticas defendem a construção participativa do currículo escolar.
Errada, porque a participação coletiva no currículo não define a separação teórica proposta por Tadeu, que se concentra na questão do poder.
Gabarito: A
Quando se fala em teorias do currículo, a grande virada está em perguntar: o currículo é só uma seleção neutra de conteúdos ou também é um instrumento de poder? Para as teorias tradicionais, o currículo costuma aparecer como algo técnico, organizado para ensinar de modo eficiente, quase como se fosse uma receita sem tempero ideológico. Parece inofensivo, mas não é tão simples assim. Já as teorias críticas e pós-críticas dizem: espere um pouco, porque toda escolha curricular envolve interesse, disputa e poder. O que entra no currículo, o que fica de fora, quem decide, quais conhecimentos ganham prestígio e quais grupos são silenciados tudo isso revela relações de poder. É por isso que a frase de Tadeu faz sentido: o ponto de separação entre essas teorias é justamente a visão sobre neutralidade e poder. Na prática, a teoria tradicional tende a tratar o currículo como algo objetivo e neutro, enquanto as abordagens críticas e pós-críticas mostram que não existe currículo inocente. Elas analisam o currículo como espaço de produção de identidades, desigualdades e disputas culturais. Em outras palavras: o currículo não só ensina matemática, história ou língua portuguesa; ele também ensina quem importa e quem pode ficar no rodapé. Por isso o gabarito é a letra A. Ela resume corretamente a ideia central: as teorias tradicionais se apresentam como neutras, enquanto as críticas e pós-críticas afirmam que toda teoria curricular está atravessada por relações de poder. Esse entendimento é clássico em autores como Tomaz Tadeu da Silva, especialmente na leitura crítica do currículo.