Algumas características inerentes ao diagnóstico de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) trazem importantes pontos de reflexão para a prática inclusiva dos estudantes com tal diagnóstico. Conhecê-las é, dessa forma, essencial para a criação de estratégias pedagógicas que possibilitem o adequado atendimento escolar a esse público. Assinale a opção que apresenta uma característica típica das pessoas com TEA.
- A)Dificuldade para utilizar a Teoria da Mente, ou seja, dificuldade de compreensão dos objetos como um todo, atendo-se a partes ou apenas a detalhes dos mesmos, o que traz prejuízos na leitura social.
Errada: mistura Teoria da Mente com Coerência Central, que são conceitos diferentes, embora ambos possam aparecer no TEA.
- B)Hipersensibilidade sensorial, que acomete principalmente a audição, o tato e o olfato, causando uma percepção reduzida de estímulos dolorosos ou uma busca constante de estímulos proprioceptivos.
Errada: sensibilidade sensorial alterada pode ocorrer no TEA, mas a alternativa exagera e generaliza mecanismos que não definem essa característica como colocada.
- C)Não direcionamento do olhar na região dos olhos das pessoas em situações sociais (em comparação com pessoas que não estão no espectro do autismo), causando prejuízo na obtenção de informações socialmente relevantes.
Certa: o não direcionamento do olhar para os olhos é um traço frequente no TEA e pode dificultar a leitura de pistas sociais.
- D)Fraca Coerência Central, traduzida por uma inabilidade de compreender os estados mentais dos outros (sentimentos, desejos e intenções), prejudicando o entendimento do jogo social, das expectativas com relação a emoções do outro.
Errada: a descrição corresponde à Teoria da Mente, não à Coerência Central, que trata da tendência a focar detalhes em vez do todo.
Gabarito: C
O TEA costuma envolver alterações na comunicação social e nos comportamentos, mas isso não aparece igual em todas as pessoas. Na prática, o ponto mais lembrado em provas é a dificuldade de interação social, especialmente na leitura de pistas sociais como olhar, expressões faciais e gestos. Isso afeta a forma como a pessoa percebe o contexto e responde aos outros, o que exige adaptações pedagógicas bem pensadas. No item, a alternativa correta é a letra C, porque descreve um traço frequentemente observado no TEA: menor uso ou menor direcionamento do olhar para a região dos olhos em situações sociais. Esse comportamento pode prejudicar a captação de informações importantes, como intenção, emoção e atenção do interlocutor, o que interfere na comunicação social. As demais alternativas misturam conceitos reais, mas trocam suas definições. Em prova, isso é clássico: a banca pega um termo conhecido e cola nele uma explicação de outro conceito. A Teoria da Mente, por exemplo, não é coerência central; e hipersensibilidade sensorial não significa, por si só, redução de estímulos dolorosos. Do ponto de vista doutrinário, o DSM-5-TR descreve o TEA como transtorno do neurodesenvolvimento com déficits persistentes na comunicação social e padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. É esse conjunto que orienta a escola inclusiva: observar, adaptar e não confundir características diferentes entre si.