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Pedagogia · FGV · 2023

Questão comentada de Pedagogia

Além dos indígenas na cidade, existem os indígenas da cidade. Os primeiros são aqueles que vieram das aldeias e trouxeram com eles todas as experiências e vivências étnicas, enquanto os segundos são os “filhos e filhas da cidade, cuja grande maioria desconhecendo o interior, não falam a língua dos seus ancestrais, não compartilham os costumes de seus parentes e conhecem os mesmos apenas por meio das narrativas e da experiência dos seus irmãos mais velhos” (BERNAL, 2010, p. 189) Diversamente do que afirma Bernal, os resultados deste estudo apontam que os entrevistados-colaboradores, sejam eles indígenas na cidade ou indígenas da cidade, conhecem e usam a língua Sateré-mawé, com diferentes graus de bilinguismo, bem como reafirmam seus pertencimentos étnicos e demonstram conhecer as histórias e a cultura Sateré-mawé. ESTÁCIO, Marcos A. F. Juventudes indígenas em espaços urbanos amazonenses: narrativas Sateré-Mawé. Tese. UFRJ: Rio de Janeiro, 2019. De acordo com o texto, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: C

A questão trabalha uma ideia importante dos estudos sobre povos indígenas em contexto urbano: a ida para a cidade não apaga automaticamente a identidade indígena. Ou seja, sair da aldeia ou nascer na cidade não significa, por si só, romper com a língua, a memória e o pertencimento étnico. Muitas vezes, a vivência urbana convive com a manutenção de vínculos culturais, familiares e linguísticos. No texto, o autor mostra justamente isso ao contrariar a visão de que os indígenas urbanos estariam afastados de sua cultura. Os entrevistados conhecem e usam a língua Sateré-mawé, com diferentes graus de bilinguismo, reafirmam seus pertencimentos étnicos e conhecem histórias e práticas da cultura do povo. Isso desmonta a ideia de assimilação total pela cidade. Por isso, a alternativa correta é a C: há um processo de integração sem assimilação. Em outras palavras, o indígena pode circular, estudar e viver na cidade sem deixar de ser indígena. A cidade entra na vida dele, mas não apaga sua identidade. É a presença indígena recriando a cidade, e não apenas sendo absorvida por ela. Esse entendimento dialoga com a Constituição Federal de 1988, que reconhece aos povos indígenas sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições. Na prática, a lógica do texto é: mudança de espaço não é sinônimo de perda cultural.

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