“Em nosso ponto de vista, é difícil enxergar a Etnomatemática desvinculada da Modelagem Matemática. D'Ambrosio (2000) não distingue uma situação conflitante entre a Etnomatemática e a Modelagem, pois compara estas duas tendências pedagógicas com o queijo e o vinho.” ROSA, M.; OREY, D. C. Vinho e Queijo: Etnomatemática e Modelagem! Bolema, Rio Claro, nº 20, 2003. No trecho destacado, os autores estabelecem entre a Etnomatemática e a Modelagem Matemática uma relação de
- A)conflito.
Errada, porque o trecho não aponta choque entre as abordagens, mas sim uma relação de aproximação.
- B)oposição.
Errada, pois não há indicação de que uma tendência se negue ou se contraponha à outra.
- C)hierarquia.
Errada, porque o texto não sugere subordinação de uma à outra, e sim articulação entre ambas.
- D)complementaridade.
Certa, pois o trecho compara as duas tendências de forma a mostrar que elas se combinam e se reforçam mutuamente.
Gabarito: D
A questão gira em torno da relação entre Etnomatemática e Modelagem Matemática. A Etnomatemática valoriza os saberes matemáticos presentes em diferentes culturas e contextos sociais, enquanto a Modelagem Matemática transforma situações reais em problemas matemáticos para análise e solução. Em vez de serem áreas rivais, elas podem caminhar juntas, porque ambas aproximam a Matemática da realidade vivida pelo aluno. No trecho citado, os autores usam a imagem do “queijo e do vinho” justamente para mostrar que uma coisa combina com a outra, sem necessidade de criar conflito artificial. Ou seja, a ideia é de encaixe, diálogo e articulação pedagógica. Isso é muito diferente de dizer que uma anula a outra ou que uma fica acima da outra. Por isso, o gabarito é a letra D: há complementaridade. A Etnomatemática ajuda a reconhecer práticas matemáticas de diferentes grupos sociais, e a Modelagem Matemática ajuda a investigar problemas concretos do cotidiano. Juntas, elas tornam o ensino mais significativo, crítico e conectado ao mundo real. Em provas da FGV, fique atento a esse tipo de formulação com metáfora ou comparação. Quando o texto fala em aproximação, combinação ou integração, a banca costuma buscar exatamente a ideia de complementaridade entre as tendências.