Com base na resolução nº 2.820/2015, que Institui as Diretrizes para a Educação Básica nas escolas do campo de Minas Gerais, é correto afirmar, a respeito da oferta, que
- A)para garantir o processo de nucleação, as escolas não poderão adotar estratégias de oferta multisseriada ou ciclos por idade.
Errada, porque a resolução não proíbe, como regra geral, estratégias pedagógicas típicas do campo, como turmas multisseriadas ou organização por ciclos, quando elas forem adequadas ao contexto.
- B)deve-se garantir que sejam agrupadas, em uma mesma turma, crianças da Educação Infantil com crianças do Ensino Fundamental I.
Errada, porque a norma não determina a mistura de crianças da Educação Infantil com as do Ensino Fundamental I na mesma turma como padrão de oferta.
- C)para o Ensino Médio integrado à Educação Profissional Técnica o processo intracampo deverá ser constituído independente das comunidades atendidas.
Errada, porque o processo intracampo não pode ser pensado de forma desconectada das comunidades atendidas; o território rural continua sendo o ponto de referência.
- D)a oferta da Educação de Jovens e Adultos também deve considerar que os deslocamentos sejam feitos nas menores distâncias possíveis, preservado o princípio intracampo.
Certa, porque a oferta da EJA nas escolas do campo deve buscar os menores deslocamentos possíveis, preservando o princípio intracampo.
Gabarito: D
A Resolução nº 2.820/2015, ao tratar das escolas do campo em Minas Gerais, parte de uma ideia central: a oferta da educação precisa respeitar o modo de vida rural, evitando que o estudante percorra distâncias desnecessárias e que a organização escolar quebre os vínculos com a comunidade. Por isso, a lógica não é simplesmente "levar todo mundo para um polo" sem cuidado, mas planejar a oferta com atenção ao território, ao transporte e ao princípio intracampo, isto é, dentro da própria realidade do campo. Esse cuidado aparece com força na Educação de Jovens e Adultos. Como esse público muitas vezes estuda depois do trabalho e já enfrenta várias barreiras de acesso, a norma exige que os deslocamentos sejam feitos nas menores distâncias possíveis, preservando o vínculo com as comunidades atendidas. Em outras palavras: para a EJA no campo, a escola não pode virar uma maratona antes mesmo da aula começar. Por isso o gabarito é a letra D. Ela traduz exatamente essa diretriz de organização da oferta: reduzir os deslocamentos ao máximo e manter a lógica intracampo, valorizando a permanência do estudante na escola e no seu território. As demais alternativas trazem ideias que contrariam a norma ou deformam sua lógica. A resolução não impede, por regra geral, arranjos como multisseriação ou ciclos por idade quando adequados à realidade do campo, nem autoriza juntar crianças da Educação Infantil com as do Ensino Fundamental I como solução padrão. Também não faz sentido falar em ensino médio integrado à educação profissional técnica como algo independente das comunidades atendidas, porque a referência territorial continua sendo essencial.