Segundo Camillo e Medeiros (2018), com base em Libâneo, Santos e Saviani (2005): “Na contemporaneidade as teorias da educação encontram-se em várias versões, com as mais variadas abordagens, indo das mais tradicionais às mais avançadas, conforme se situem em relação aos seus temas básicos”. Ainda segundo os autores, tais teorias apresentam características em comum. Assinale a opção que apresenta uma característica que não se aplica às teorias educacionais contemporâneas.
- A)Deve-se acentuar o poder da razão, isto é, da atividade racional, científica, tecnológica enquanto objeto de conhecimento.
Está de acordo com a valorização da racionalidade, da ciência e da técnica como dimensões importantes do conhecimento nas teorias contemporâneas.
- B)Conhecimentos e modos de ação, deduzidos de uma cultura universal objetiva, precisam ser comunicados às novas gerações e recriados em função da continuidade dessa cultura.
Está correta ao afirmar que a escola transmite às novas gerações os conhecimentos da cultura objetiva, recriando-os pedagogicamente.
- C)Os educadores são representantes legítimos da cultura e cabe a eles ajudar os educandos a internalizarem valores universais, tais como racionalidade, autoconsciência, autonomia e liberdade.
Está correta porque destaca o papel do educador como mediador da cultura e da formação de valores como autonomia e liberdade.
- D)Os conteúdos acumulados socialmente que se tornaram hegemônicos devem ser transmitidos às sucessivas gerações e este deve ser o principal foco da educação.
Está errada porque transforma a educação em mera transmissão de conteúdos hegemônicos, reduzindo seu sentido formativo e crítico.
- E)Os seres humanos possuem uma natureza humana básica, postulando-se a partir daí direitos básicos universais.
Está correta ao partir da ideia de uma natureza humana comum e da afirmação de direitos universais associados à formação humana.
Gabarito: D
A questão trabalha uma ideia bem comum nas teorias educacionais contemporâneas: elas costumam valorizar a razão, a cultura acumulada, a formação de sujeitos autônomos e a transmissão crítica dos saberes socialmente produzidos. Em outras palavras, a educação não aparece como algo aleatório ou puramente espontâneo, mas como uma ação intencional que seleciona, organiza e comunica conhecimentos relevantes para a vida em sociedade. Nessa linha, autores como Libâneo, Santos e Saviani destacam que a escola não pode abrir mão do ensino dos conteúdos clássicos e socialmente significativos, articulando ciência, cultura e formação humana. Isso não significa repetir mecanicamente o passado, mas garantir que as novas gerações tenham acesso ao que a humanidade construiu historicamente. A ideia é mais “formar com conteúdo” do que “deixar cada um descobrir sozinho”. O gabarito é a letra D porque ela desloca o foco da educação para a simples transmissão dos conteúdos hegemônicos, como se esse fosse o objetivo principal e suficiente da escola. As teorias contemporâneas, especialmente na leitura crítica de Libâneo e Saviani, não reduzem a educação a isso: elas valorizam a mediação pedagógica, a formação integral e a apropriação crítica do conhecimento, e não apenas a reprodução do que já é dominante. Então, o ponto de atenção é este: uma coisa é reconhecer a importância dos conteúdos historicamente acumulados; outra, bem diferente, é tratar a hegemonia cultural como finalidade central da educação. É aí que a alternativa D escorrega.