“Os conflitos interpessoais, em suas diferentes manifestações, também estão bastante presentes no interior das escolas. Inúmeras pesquisas indicam a frequência cada vez maior de situações de indisciplina, violência, agressões físicas e verbais, furtos, insultos, desobediência às normas, bullying, entre outros.” VINHA, T.; NUNES, C.; SILVA, L.; VIVALDI, F.; MORO, A. Da escola para a vida em sociedade - O valor da convivência democrática. Col. Valores Sociomorais – reflexões para a educação. Americana: Adonis, 2017, p. 87. Tendo em vista o desenvolvimento da cultura de paz no ambiente escolar, os conflitos entre os estudantes devem ser
- A)resolvidos de forma pontual e prática para não atrapalhar o andamento da aula e atrasar o cronograma de atividades e o desenvolvimento do conteúdo a ser trabalhado com a turma.
Errada, porque reduzir os conflitos a soluções pontuais para não atrapalhar a aula ignora seu potencial educativo e trata o problema apenas como interrupção do conteúdo.
- B)evitados, com o apoio de diferentes estratégias pedagógicas de relaxamento e pacificação, reduzindo os desentendimentos e atitudes agressivas dentro e fora da sala de aula.
Errada, porque o objetivo não é simplesmente evitar conflitos a qualquer custo, mas aprender a lidar com eles de forma formativa e democrática.
- C)entendidos como momentos que fazem parte do cotidiano escolar, que possibilitam o trabalho com valores e regras, necessários ao desenvolvimento e à formação acadêmica, social e emocional dos estudantes.
Certa, porque reconhece os conflitos como parte da vida escolar e os usa para trabalhar valores, regras e desenvolvimento integral dos estudantes.
- D)encarados como negativos e prejudiciais aos envolvidos, desgastando o relacionamento entre os indivíduos do grupo, os quais necessitam ser responsabilizados pelos seus atos.
Errada, porque vê o conflito apenas como algo negativo e punitivo, sem considerar que ele pode ser mediado pedagogicamente e gerar aprendizagem.
Gabarito: C
Na escola, conflito não é sinônimo de desastre. Ele faz parte da convivência humana e, quando bem trabalhado, vira uma oportunidade pedagógica poderosa para ensinar respeito, escuta, empatia, autocontrole e responsabilidade. Em vez de tratar todo conflito como algo a ser abafado ou punido de imediato, a educação para a cultura de paz busca transformar esses episódios em aprendizagem para a vida em sociedade. Por isso, a escola não deve fingir que os conflitos não existem, nem simplesmente “varrer a sujeira para debaixo do tapete”. O mais adequado é compreendê-los como situações cotidianas que permitem discutir valores, regras de convivência e limites, ajudando os estudantes a desenvolver competências sociais e emocionais. Isso dialoga com a ideia de educação integral e com o papel formativo da escola, não apenas transmissivo. O gabarito é a letra C porque ela traduz exatamente essa visão: os conflitos são momentos do cotidiano escolar que possibilitam o trabalho com valores e regras, fundamentais para a formação acadêmica, social e emocional dos estudantes. Em outras palavras, o conflito bem mediado educa. Já a cultura de paz não significa ausência total de conflito, mas sim gestão democrática e não violenta das divergências. Esse entendimento também conversa com a LDB, que coloca a formação para a cidadania como finalidade da educação, e com abordagens pedagógicas voltadas à convivência democrática e à mediação de conflitos. A escola, nesse cenário, não é tribunal nem consultório de tranquilização geral: é espaço de aprendizagem para viver com o outro.