Influenciado pelo marxismo e pelo estruturalismo, Pierre Bourdieu estudou a sociologia dos processos culturais e identificou na escola um espaço de legitimação da cultura dominante, imposta e naturalizada como universal. Assim, o sistema de ensino gera, inevitavelmente, situações de discriminação, como o preconceito em relação a estudantes de determinadas regiões ou em condições socioculturais marginalizadas por falarem de uma forma diferente daquela que é definida “a forma correta” de expressão da língua pela gramática prescritiva, por exemplo. Na perspectiva de Bourdieu, situações de preconceito linguístico, expressariam
- A)uma violência simbólica.
Correta, porque o preconceito linguístico funciona como imposição simbólica da cultura dominante, naturalizando a inferiorização de certos grupos.
- B)um capital econômico.
Errada, porque capital econômico se refere a recursos financeiros e bens materiais, não à dominação cultural pela linguagem.
- C)uma estratificação social.
Errada, porque estratificação social é a divisão da sociedade em camadas, mas a questão pede o mecanismo de dominação simbólica descrito por Bourdieu.
- D)um relativismo cultural.
Errada, porque relativismo cultural valoriza a compreensão das diferenças culturais sem hierarquizá-las, e não explica a discriminação escolar.
- E)uma ideologia meritocrática.
Errada, porque meritocracia é a ideia de recompensa pelo mérito individual, mas aqui o foco é a imposição de um padrão cultural como legítimo.
Gabarito: A
Pierre Bourdieu ajuda a entender que a escola não é um espaço neutro como muita gente imagina. Para ele, a instituição escolar costuma valorizar a cultura do grupo dominante como se ela fosse a única correta, universal e natural. Isso faz com que alunos de origens sociais diferentes sejam avaliados por um padrão que não nasceu com eles, mas com os grupos que já têm mais poder na sociedade. Quando isso acontece, a diferença de linguagem, de hábitos e de repertório cultural vira motivo de exclusão. O aluno não é discriminado apenas por uma regra formal, mas porque a escola transforma a cultura dominante em regra invisível, como se fosse algo óbvio e merecido. É aí que entra a ideia de violência simbólica: uma dominação suave, disfarçada de normalidade, que faz o dominado aceitar como legítimo aquilo que o inferioriza. No caso do preconceito linguístico, a situação é bem clara. Falar diferente não significa falar errado em sentido absoluto, mas a gramática prescritiva e certos usos sociais da língua podem ser tratados como superiores, desqualificando variedades regionais e populares. Bourdieu mostra que essa cobrança não é só técnica, é também social e política. Por isso, o gabarito é a letra A. O preconceito linguístico, nessa leitura, é expressão de violência simbólica, pois impõe uma forma de falar como padrão legítimo e faz parecer natural a desvalorização de quem não domina esse padrão.