Leia o trecho a seguir. A educação intercultural parte da afirmação da diferença como riqueza. Promove processos sistemáticos de diálogo entre diversos sujeitos – individuais e coletivos -, saberes e práticas na perspectiva da afirmação da justiça social, econômica, cognitiva e cultural -, assim como da construção de relações igualitárias entre grupos socioculturais e da democratização da sociedade, por meio de políticas que articulam direitos da igualdade e da diferença. Adaptado de CANDAU, Vera (org.). Interculturalizar, descolonizar, democratizar: uma educação “outra”? Rio de Janeiro: 7 Letras, 2016. Com base no trecho, é correto afirmar que uma educação intercultural em arte
- A)preza o caráter universal e monocultural das culturas escolares, para fortalecer um acesso igualitário à arte.
Errada, porque a educação intercultural não defende uma cultura escolar universal e monocultural, e sim o diálogo entre diferenças.
- B)valoriza a hibridização cultural, para romper com visões essencialistas das identidades culturais e artísticas.
Certa, porque a hibridização cultural rompe com visões essencialistas e valoriza o encontro entre repertórios culturais diversos na arte.
- C)folcloriza as culturas não ocidentais, especialmente as expressões artísticas indígenas e africanas.
Errada, porque folclorizar culturas não ocidentais é reduzir e exotizar essas expressões, o oposto do respeito intercultural.
- D)adota definições pré-estabelecidas e transcendentais de cultura, para definir o currículo de artes.
Errada, porque a educação intercultural rejeita definições fixas e transcendentes de cultura, preferindo construções históricas e relacionais.
Gabarito: B
A educação intercultural, como mostra o trecho da Vera Candau, não trata a diferença como problema, mas como riqueza. A ideia central é colocar em diálogo saberes, grupos e práticas culturais diferentes, buscando justiça social, reconhecimento e relações mais igualitárias. Em vez de querer uma cultura única mandando no currículo, ela aposta na convivência crítica entre várias matrizes culturais. Em arte, isso significa sair de uma visão fechada e essencialista, como se cada cultura tivesse uma identidade fixa, pura e imutável. A arte escolar pode e deve abrir espaço para trocas, misturas, releituras e novas formas de expressão. Isso é hibridização cultural: culturas se encontram, dialogam e produzem algo novo, sem apagar as diferenças. Por isso a alternativa B está correta. Ela traduz exatamente a perspectiva intercultural, que valoriza a diversidade e rompe com estereótipos e com a ideia de que existe uma forma “verdadeira” ou “pura” de arte ligada a uma cultura só. Esse olhar é compatível com uma educação voltada para a democratização e para a valorização dos sujeitos e seus repertórios culturais. As demais alternativas vão na direção oposta: falam em universalismo monocultural, folclorização ou definições transcendentes e prontas de cultura. Tudo isso é bem mais cara de currículo fechado do que de educação intercultural. Em prova, sempre desconfie quando a banca troca diálogo cultural por padronização ou exotização.