“Os saberes da docência e os próprios docentes-trabalhadores têm estado ausentes nos conhecimentos escolares. Os currículos acumulam muitos saberes, mas sabem pouco dos adultos que os ensinam e menos ainda das crianças, adolescentes e jovens que os aprendem. O curioso é que tanto os mestres quanto os educandos têm propiciado um acúmulo riquíssimo de vivências e de estudos, de conhecimentos, teses, narrativas e histórias do magistério, da infância, da adolescência e da juventude. Sujeitos de história, mas sem direito a conhecer sua história.” ARROYO, M. Currículo, território em disputa. Petrópolis: Vozes, 2011. Assinale a opção que destaca corretamente o que é afirmado acima.
- A)Os currículos ignoram os conhecimentos dos sujeitos do processo educativo sobre sua própria atividade.
Correta, porque expressa a crítica de que o currículo desconsidera os saberes produzidos pelos próprios sujeitos da educação sobre sua vivência e prática.
- B)As disciplinas de história e técnica da educação devem ser incluídas entre os conteúdos curriculares formais.
Errada, porque o texto não pede a inclusão de disciplinas específicas, mas questiona a ausência dos sujeitos e de seus saberes no currículo.
- C)O compartilhamento de vivências tem pouco valor pedagógico por ser um saber de tipo informal.
Errada, porque o texto valoriza justamente as vivências e histórias como saberes ricos, e não como conhecimento sem valor pedagógico.
- D)Os currículos escolares devem se atualizar com conteúdos da psicologia infantojuvenil.
Errada, porque a questão não trata de atualizar o currículo com psicologia infantojuvenil, mas de reconhecer os sujeitos e suas experiências.
- E)A atuação no magistério tem sido incapaz de gerar experiências que mereçam ser divididas.
Errada, porque o texto afirma o contrário: o magistério produz experiências, estudos e narrativas que têm grande valor e não devem ser desprezados.
Gabarito: A
A ideia central do texto de Arroyo é bem direta: o currículo escolar costuma valorizar conteúdos, mas deixa na sombra os sujeitos que vivem o processo educativo. Ou seja, ele acumula saberes formais e acaba tratando como invisíveis os conhecimentos construídos por professores, estudantes e suas histórias de vida. Isso conversa com a crítica de que a escola muitas vezes ensina conteúdos, mas esquece as pessoas concretas que os fazem ganhar sentido. No caso da docência, o texto destaca que os saberes do professor e sua experiência de trabalho também são conhecimento, e não mero detalhe de bastidor. Por isso, o gabarito A está correto: ele resume exatamente a crítica de que os currículos ignoram os conhecimentos dos sujeitos do processo educativo sobre sua própria atividade. Essa visão dialoga com a literatura do currículo crítico e com autores como Arroyo e Tardif, que valorizam os saberes da experiência e da prática docente.