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Pedagogia · FGV · 2023

Questão comentada de Pedagogia

Um elemento crucial para as práticas pedagógicas é a consciência a respeito da concepção sobre o conhecimento que é difundida em sala de aula, muitas vezes de modo não intencional. Quando um educador nega aos alunos a compreensão das condições culturais, históricas e sociais de produção do conhecimento científico, termina por reforçar a sensação de perplexidade, impotência e incapacidade cognitiva. CORTELLA, Mario Sergio. A Escola e o Conhecimento. São Paulo: PUC, 1997, p. 91. Adaptado. Com base no trecho acima, é correto afirmar que a desmistificação do conhecimento científico pode ser obtida ao incentivar exercícios de

Gabarito: C

A questão trata de uma ideia central em pedagogia: o conhecimento científico não nasce pronto, neutro e fora do mundo. Ele é produzido em contextos históricos, culturais e sociais concretos, com métodos, disputas, interesses e limites próprios. Quando a escola apresenta a ciência como algo quase mágico, inacessível e acima de qualquer contexto, o aluno tende a achar que só resta decorar e acreditar, em vez de compreender. Por isso, desmistificar o conhecimento científico significa mostrar como ele foi construído, quais perguntas o geraram, quais condições permitiram sua produção e por que ele pode ser revisado. Essa postura aproxima o estudante do saber e reduz a sensação de impotência mencionada no texto de Cortella. Em vez de ver a ciência como um pedestal, ele passa a enxergá-la como uma construção humana rigorosa, mas histórica. É exatamente esse o sentido da alternativa C: incentivar exercícios de relativização, no sentido de situar o conhecimento nas condições de produção que o geraram. Aqui, relativizar não é dizer que tudo vale, mas reconhecer que o saber científico tem contexto, método e finalidade. Isso ajuda a evitar a visão dogmática da ciência e favorece uma aprendizagem crítica. Na prática pedagógica, essa abordagem dialoga com uma educação problematizadora, crítica e contextualizada, próxima de autores como Paulo Freire e do próprio Cortella, que defendem a escola como espaço de compreensão, não de adestramento intelectual. A ciência fica mais humana, e o aluno, mais participante do processo de conhecer.

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