Na Resolução CNE/CEB nº4/2010, que define as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica, a escola de qualidade social adota como centralidade o estudante e a aprendizagem, o que pressupõe atendimento ao seguinte requisito:
- A)inter-relação entre a organização do plano de curso, do plano de aula, do plano de ensino e dos sistemas educacionais do estado.
Errada, porque fala de documentos de planejamento e da relação com sistemas educacionais, mas não expressa a centralidade do estudante nem a ampliação dos espaços e tempos educativos.
- B)revisão das referências conceituais quanto aos diferentes espaços e tempos educativos, abrangendo espaços sociais na escola e fora dela.
Certa, porque a resolução defende a revisão das referências sobre espaços e tempos educativos, reconhecendo aprendizagens na escola e fora dela.
- C)foco na formação para o trabalho, no gosto pela jornada e na avaliação das aprendizagens como instrumento de classificação dos estudantes.
Errada, porque reduz a educação a formação para o trabalho e a classificação por avaliação, o que contraria a perspectiva de formação integral da norma.
- D)compatibilidade entre professores e gestores como parceria verticalizada de interessados na educação e clareza nas atribuições do cargo.
Errada, porque traz uma ideia de parceria verticalizada e foco em atribuições funcionais, sem relação com o princípio pedagógico central da aprendizagem do estudante.
Gabarito: B
A Resolução CNE/CEB nº 4/2010 organiza as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica e parte de uma ideia importante: a escola de qualidade social não existe para ser um prédio com horários, mas para colocar o estudante e a aprendizagem no centro. Isso significa olhar para a formação de modo amplo, considerando o sujeito em desenvolvimento, seus contextos e os diferentes espaços em que ele aprende. A escola deixa de ser um lugar fechado em si mesma e passa a dialogar com a vida real do aluno. Quando a norma fala em centralidade do estudante e da aprendizagem, ela pressupõe rever referências conceituais sobre os tempos e espaços educativos. Em outras palavras: aprender não acontece só na sala de aula tradicional, e a educação não se limita ao que está dentro dos muros da escola. Há aprendizagem em atividades culturais, comunitárias, sociais e em outros ambientes formativos. Por isso, o gabarito é a alternativa B. Ela traduz exatamente essa ampliação de olhar prevista nas diretrizes: revisar as referências conceituais quanto aos diferentes espaços e tempos educativos, incluindo espaços sociais dentro e fora da escola. É a cara de uma educação básica comprometida com a formação integral, e não com uma visão estreita e burocrática do ensino. As demais alternativas fogem do núcleo da resolução, porque tratam de organização administrativa, de foco instrumental no trabalho ou de relações hierárquicas entre profissionais, enquanto a diretriz destaca a aprendizagem com sentido, articulação com a realidade e integração de espaços educativos.