Sobre a incorporação de diversas fontes e linguagens no ensino de História, leia o fragmento a seguir. O professor, no exercício cotidiano de seu ofício, incorpora noções, representações, linguagens do mundo vivido fora da escola, na família, no trabalho, nos espaços de lazer, na mídia, entre outros. De modo que, a formação do aluno/cidadão se inicia e processa ao longo de sua vida nos diversos espaços de vivência e mediante todas as linguagens, todos os veículos de materiais, fruto de múltiplas experiências culturais, tais como os meios de comunicação de massa, literatura, cinema, tradição oral, museus, entre outros. Adaptado de GUIMARÃES, Selva. Didática e Prática de Ensino de História. Papirus, 2009, p. 164. Com base na perspectiva da autora, analise as afirmativas a seguir a respeito da incorporação de diferentes linguagens no campo do ensino de História. I. Foi impulsionada pela “revolução documental” da primeira metade do século XX, ampliando e diversificando as fontes da História. II. Pressupõe que o docente de História reconheça a relação entre os saberes escolares e a vida social, incorporando-a em suas práticas de ensino e aprendizagem. III. Avalia a natureza narrativa dos discursos literário e histórico e explicita a parcialidade e o caráter ficcional de ambos, recorrendo à literatura para tornar o ensino mais prazeroso. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
Errada, porque a afirmativa II também está correta e é central na perspectiva da autora.
- B)I e II, apenas.
Certa, pois a I reconhece a ampliação das fontes da História no século XX e a II destaca a ligação entre saberes escolares e vida social.
- C)I e III, apenas.
Errada, porque a III não corresponde ao uso crítico das linguagens no ensino de História e a II continua correta.
- D)II e III, apenas.
Errada, porque a III está incorreta e a I e a II são as afirmativas válidas.
- E)I, II e III.
Errada, porque a III é a única que destoa da abordagem da autora sobre ensino de História e múltiplas linguagens.
Gabarito: B
A questão trata da ampliação das fontes e linguagens no ensino de História, algo que ganha força quando a disciplina deixa de ficar presa apenas ao livro didático e passa a dialogar com documentos, imagens, cinema, literatura, memória oral, museus e mídia. Essa abertura tem relação com a chamada “revolução documental” do século XX, que ampliou o que pode ser considerado fonte histórica e, por consequência, também o que pode entrar na sala de aula. No ensino de História, isso não significa usar qualquer material só para “dar variedade”. A ideia central é aproximar os saberes escolares da vida social do estudante, mostrando que ele aprende História também no convívio familiar, no consumo de mídia, nas experiências culturais e nos espaços de sociabilidade. A perspectiva de Selva Guimarães vai exatamente nessa direção: o professor articula o conhecimento histórico escolar com a realidade vivida. Por isso, as afirmativas I e II estão corretas. A I está certa porque a ampliação das fontes históricas é um movimento consolidado no século XX e repercute diretamente no ensino. A II também está certa porque a autora defende a relação entre escola e vida social na construção do conhecimento histórico. A III está errada porque mistura uma reflexão sobre narrativa histórica e literária com uma justificativa simplificada do uso da literatura, como se ela servisse apenas para tornar a aula mais prazerosa. Na perspectiva da autora, a literatura pode ser um recurso didático importante, mas não por esse motivo restrito, e sim por sua contribuição para a leitura crítica do passado e para o trabalho com diferentes linguagens.