Leia o trecho a seguir. Um diálogo intercultural cosmopolita é aquele em que nos tratamos como cidadãos de um mundo compartilhado e, portanto, digno de respeito mútuo. Isso não significa que não podemos discordar. Por um lado, não podemos ser apenas relativistas generalizadores e achar que tudo que acontece na humanidade é correto e bom. APPIAH, Kwame A. Filósofo reflete sobre as transformações na imagem do continente na política, na academia e nas artes desde o século XIX. O Globo, 5 de janeiro de 2012, Caderno Prosa. O conceito de diálogo intercultural cosmopolita oferece subsídios para pensar o acolhimento da diversidade na escola. Segundo o trecho apresentado, a expressão correta dessa perspectiva é a
- A)celebração de todo tipo de manifestação cultural que venha a se expressar no ambiente escolar.
Errada, porque acolher a diversidade não significa celebrar tudo sem critério ou crítica, já que a escola também deve discutir valores e práticas.
- B)criação de um ambiente aberto à expressão e que favoreça o debate crítico sobre modos de vida.
Certa, porque expressa exatamente o equilíbrio entre abertura à diversidade e debate crítico sobre diferentes modos de vida.
- C)priorização das expressões culturais não-ocidentais sobre as expressões da cultural ocidental.
Errada, porque a perspectiva do texto não propõe hierarquizar culturas, mas promover respeito mútuo e diálogo sem superioridade cultural.
- D)proteção das identidades culturais dos alunos contra a interferência da troca com outras culturas.
Errada, porque o diálogo intercultural pressupõe troca entre culturas, e não isolamento ou proteção das identidades contra o contato com o diferente.
Gabarito: B
O trecho de Appiah defende uma ideia muito importante para a escola: conviver com a diversidade sem transformar isso em vale-tudo. Ou seja, reconhecer que existem diferentes culturas, identidades e modos de vida, mas sem abrir mão do diálogo, do respeito e da análise crítica. A escola não deve virar um museu de costumes intocáveis nem uma arena de imposições culturais. Ela deve ser um espaço de encontro, escuta e debate. No contexto pedagógico, isso combina com uma educação intercultural, que valoriza a pluralidade e promove relações mais democráticas entre os sujeitos. A interculturalidade não manda você achar tudo lindo e correto, e também não pede para colocar uma cultura acima da outra. O ponto é construir convivência com respeito mútuo, discussão argumentada e abertura para aprender com o diferente. Por isso, a alternativa B é a correta: a escola deve criar um ambiente aberto à expressão das diferenças e, ao mesmo tempo, favorecer o debate crítico sobre os modos de vida. É exatamente essa a lógica do diálogo intercultural cosmopolita do texto: nem relativismo total, nem fechamento identitário, mas convivência crítica e respeitosa. Se quiser um apoio teórico, essa ideia conversa com debates da educação intercultural e com a própria LDB, que valoriza o respeito à liberdade e apreço à tolerância (art. 3º), além de princípios constitucionais ligados à dignidade da pessoa humana e ao pluralismo. Em resumo: a escola acolhe, mas também conversa, pergunta e problematiza.