Leia o trecho a seguir. O professor precisa valorizar de verdade a presença de cada um. Precisa reconhecer permanentemente que todos influenciam a dinâmica da sala de aula, que todos contribuem. Essas contribuições são recursos. Usadas de modo construtivo, elas promovem a capacidade de qualquer turma de criar uma comunidade aberta de aprendizado. Adaptado de HOOKS, Bell. Ensinando a transgredir. São Paulo: Ed. WMF Martins Fontes, 2017. A respeito do processo de ensino-aprendizagem, o trecho acima expõe a concepção que enfatiza o aspecto
- A)reflexivo.
Reflexivo não é o eixo principal do trecho, porque a ideia central não é apenas pensar sobre a prática, mas valorizar a interação entre os sujeitos do processo.
- B)dialógico.
Correta, pois o texto enfatiza troca, participação, escuta e construção coletiva do aprendizado, características típicas da concepção dialógica.
- C)crítico.
Crítico tem relação com problematização e leitura da realidade, mas o trecho destaca sobretudo a convivência educativa e o diálogo na sala de aula.
- D)prescritivo.
Prescritivo está errado, porque o texto não traz uma receita fechada de ensino; ele valoriza a participação dos envolvidos e a abertura para o aprendizado compartilhado.
Gabarito: B
O trecho de Bell Hooks destaca uma sala de aula em que cada pessoa conta, participa e interfere no aprendizado coletivo. Isso aponta para uma visão em que o conhecimento não é algo despejado por um lado só, mas construído na relação entre professor e estudantes. Em outras palavras, o ensino ganha força quando existe troca, escuta e cooperação. É por isso que o gabarito é a letra B. A concepção dialógica valoriza a interação, a fala, a escuta e a construção compartilhada do saber. O professor não aparece como único dono da verdade, mas como alguém que organiza a aprendizagem e abre espaço para que todos contribuam com experiências, ideias e perguntas. Essa ideia conversa com Paulo Freire, para quem o diálogo é central no processo educativo, porque ninguém educa ninguém sozinho: as pessoas se educam em comunhão. O trecho também combina com uma prática pedagógica inclusiva e democrática, em que a participação da turma não é enfeite, mas parte do próprio método. Se a questão fala em reconhecer a presença de cada um e transformar as contribuições em recurso para a turma, pense logo em interação significativa, e não em aula engessada. Aqui, o foco não é decorar conteúdo, e sim construir aprendizagem com sentido, com voz e vez para todos.