A educação eficaz para os direitos humanos tem dois objetivos essenciais: aprender sobre os direitos humanos e aprender para os direitos humanos. Aprender sobre direitos humanos é um processo essencialmente cognitivo. A educação para os direitos humanos significa fazer nossos os princípios da igualdade e da dignidade humana. MOREIRA, V.; GOMES, C. de M. (coords.) Compreender os direitos humanos: Manual de Educação para os Direitos Humanos. Coimbra: Coimbra Editora, 2013. O trecho acima distingue duas modalidades de ensinar e aprender os Direitos Humanos. Assinale a opção que identifica corretamente uma expressão do segundo caso.
- A)O entendimento de como funcionam os mecanismos estatais de implementação e garantia dos direitos.
Errada, porque conhecer os mecanismos estatais de garantia dos direitos é aprender sobre direitos humanos, e não a formação de atitudes e valores.
- B)A compreensão dos processos históricos que motivaram o surgimento de direitos universais do ser humano.
Errada, porque compreender o processo histórico de surgimento dos direitos universais é conteúdo conceitual e informativo.
- C)O saber a respeito das várias gerações de direitos humanos e a inter-relação entre cada um deles.
Errada, porque saber as gerações de direitos humanos e sua inter-relação também pertence ao eixo cognitivo de estudar o tema.
- D)A modificação de atitudes e valores no sentido de uma postura solidária e preocupada com a justiça social.
Certa, porque mudar atitudes e valores para uma postura solidária e voltada à justiça social expressa o aprender para os direitos humanos.
Gabarito: D
A questão cobra uma distinção clássica da educação em direitos humanos: aprender sobre os direitos humanos e aprender para os direitos humanos. No primeiro caso, você estuda conceitos, história, normas e mecanismos de proteção. É a parte mais cognitiva, de conhecimento mesmo, quase um mapa do território. Já aprender para os direitos humanos vai além do conteúdo e entra na formação de atitudes, valores e comportamentos. Aqui a ideia é internalizar a dignidade da pessoa humana, a igualdade, a solidariedade e a justiça social, para que isso apareça na prática cotidiana. Não basta saber a teoria com cara de prova, é preciso transformar postura. Por isso o gabarito é a letra D. Ela fala da modificação de atitudes e valores no sentido de uma postura solidária e preocupada com a justiça social, que é exatamente o sentido de educar para os direitos humanos. Essa visão conversa com a Declaração Universal dos Direitos Humanos e com a orientação da Unesco e dos planos nacionais de educação em direitos humanos, que tratam o tema como formação integral, não apenas informativa. As demais alternativas ficam no campo do conhecimento sobre direitos humanos, isto é, descrição, história e estrutura do sistema. Elas ajudam a entender o tema, mas não traduzem a dimensão formativa e ética que o enunciado chamou de segundo caso.