Uma das perspectivas teóricas mais mobilizadas para pensar a função e a situação social da escola é a corrente crítico-reprodutivista. Segundo essa corrente, as escolas
- A)têm como característica intrínseca uma função de transformação das condições sociais.
Errada, porque a corrente crítico-reprodutivista não vê a escola como agente intrínseco de transformação social, mas como instituição que tende a reproduzir a ordem existente.
- B)funcionam como meio pelo qual o Estado produz cidadãos participativos e uma sociedade mais justa.
Errada, porque essa alternativa descreve uma visão mais funcionalista ou idealizada da escola, e não a leitura crítica que destaca a reprodução das desigualdades.
- C)comportam uma heterogeneidade que impede uma teoria geral de seu funcionamento.
Errada, porque a crítica reprodutivista justamente busca uma explicação geral para o papel social da escola, em vez de negar essa possibilidade por causa da heterogeneidade.
- D)internalizam as ideologias, as relações de poder e as desigualdades que conservam a estrutura social.
Certa, porque essa corrente entende que a escola absorve e reproduz ideologias, relações de poder e desigualdades, ajudando a conservar a estrutura social.
Gabarito: D
A corrente crítico-reprodutivista olha para a escola com uma lente mais dura: em vez de enxergá-la como motor automático de igualdade, ela entende que a instituição escolar costuma ajudar a manter a ordem social existente. A escola não aparece como neutra nem como salvadora, mas como parte de um sistema maior que distribui vantagens e desvantagens de forma desigual. Essa visão ficou muito conhecida na sociologia da educação com autores como Bourdieu e Passeron, Althusser e Baudelot e Establet, cada um enfatizando, à sua maneira, que a escola tende a reproduzir as relações sociais dominantes. Em vez de romper com as desigualdades, ela muitas vezes as legitima, naturaliza e faz parecer que tudo decorre apenas do mérito individual. Por isso o gabarito é a letra D. A ideia central da corrente é justamente que as escolas internalizam ideologias, relações de poder e desigualdades já presentes na sociedade, contribuindo para conservar a estrutura social. É aquela lógica do tipo: a escola parece abrir portas, mas também pode ensinar a aceitar o jogo como ele já está montado. Esse tema não costuma depender de lei específica, porque é mais de teoria sociológica da educação do que de norma jurídica. Em provas, o ponto é reconhecer a oposição entre essa corrente e as visões otimistas, que tratam a escola como instrumento direto de transformação social.