“A prática escolar usualmente denominada avaliação da aprendizagem pouco tem a ver com avaliação. Ela constitui-se muito mais de provas/exames que têm por finalidade separar os ‘eleitos’ dos ‘não eleitos’. Assim sendo, essa prática exclui uma parte dos alunos e admite uma outra. Essa característica das provas/exames está comprometida com o modelo de sociedade ao qual serve, que é a negação de um modelo amoroso. Por outro lado, a avaliação da aprendizagem pode ser, por si, um ato acolhedor, integrativo e inclusivo. Assim, apresenta-se como um meio constante de fornecer suporte ao educando no seu processo de constituição de si mesmo.” Adaptado de LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem: componente do ato pedagógico. São Paulo: Cortez, 2008. A respeito da concepção defendida por este autor, é correto afirmar que a avaliação deve
- A)evitar injustiças em seus diagnósticos por meio do apelo à neutralidade nos seus métodos.
Errada, porque Luckesi não defende neutralidade técnica como solução, mas uma avaliação comprometida com a aprendizagem e com a inclusão.
- B)ter como horizonte o fato de que o desenvolvimento individual precisa estar a serviço do desenvolvimento social.
Errada, pois essa formulação se aproxima de uma visão sociológica ampla, não da tese central de Luckesi sobre avaliação como ato pedagógico acolhedor.
- C)tornar-se um ato de amor que acolhe e dá suporte ao desenvolvimento pessoal do educando.
Certa, porque expressa a ideia de avaliação como acolhimento, suporte e promoção do desenvolvimento do educando.
- D)usar a punição como modalidade de estímulo negativo para impulsionar o desenvolvimento.
Errada, porque punição e estímulo negativo combinam com lógica classificatória, não com a concepção formativa defendida por Luckesi.
- E)ser capaz de verificar e classificar os alunos em função de seus respectivos desempenhos.
Errada, porque verificar e classificar alunos é justamente o tipo de prática que Luckesi critica ao tratar provas e exames como instrumentos excludentes.
Gabarito: C
Cipriano Carlos Luckesi critica a ideia de avaliação como simples prova ou exame que separa alunos em “aptos” e “inaptos”. Para ele, quando a escola reduz avaliar a classificar, punir ou excluir, ela afasta a avaliação do seu sentido pedagógico mais bonito: acompanhar a aprendizagem para ajudar o estudante a avançar. Em vez de ser uma triagem fria, a avaliação deve funcionar como um processo contínuo de leitura da aprendizagem, com intervenção pedagógica e apoio ao educando. Na visão de Luckesi, avaliar não é “pegar no erro” para reprovar, mas identificar o que o aluno já aprendeu e o que ainda precisa de suporte. Por isso, a avaliação tem caráter formativo, acolhedor e inclusivo. Ela serve para orientar o trabalho do professor e favorecer o desenvolvimento do aluno, não para montar um ranking de vencedores e perdedores. A lógica aqui é de cuidado pedagógico, não de seleção social. É exatamente por isso que o gabarito é a letra C. Quando a questão diz que a avaliação deve ser “um ato de amor que acolhe e dá suporte ao desenvolvimento pessoal do educando”, ela resume a concepção de Luckesi: avaliar como prática de acompanhamento, inclusão e ajuda concreta ao crescimento do estudante. Se a prova só classifica, ela mede. Se avalia de verdade, ela também transforma a aprendizagem.