O público-alvo do Atendimento Educacional Especializado (AEE) é formado pelos alunos com deficiência física, intelectual, visual, e auditiva, transtorno do espectro autista e altas habilidades/superdotação. Assim, observa-se a necessidade do professor que atua no AEE possuir conhecimentos gerais de exercício da docência e conhecimentos específicos da área da Educação Especial, sejam através da formação inicial ou continuada. Atendimento educacional especializado para o estudante com transtorno do espectro autista / Organizador: Francisco Varder Braga Júnior — Mossoró: EdUFERSA, 2018. Uma função do profissional do Atendimento Educacional Especializado (AEE) em relação ao atendimento dos estudantes com transtorno do espectro do autismo (TEA) é
- A)identificar, elaborar, produzir e organizar serviços e recursos pedagógicos e de acessibilidade, restringindo sua atuação à sala de recursos multifuncionais.
Errada: o AEE não se restringe à sala de recursos multifuncionais, embora nela possa ocorrer; sua atuação é articulada com a escola e com o ensino comum.
- B)exercer atividades de apoio à alimentação, higiene e locomoção do estudante com TEA, dependendo do seu grau de comprometimento para realizá-las.
Errada: alimentação, higiene e locomoção são atribuições de apoio/cuidados, não função pedagógica do professor do AEE.
- C)participar do planejamento de conteúdos paralelos de aprendizagem, fora da grade curricular escolar, tendo em vista às características e necessidades de cada estudante.
Errada: o AEE não trabalha com conteúdos paralelos fora da grade curricular, mas com recursos e estratégias que complementam ou suplementam a escolarização.
- D)desenvolver a interação com a família e toda comunidade escolar e extraescolar, realizando ações intersetoriais e interativas dentro da própria escola.
Certa: o professor do AEE deve articular família, escola e rede de apoio, promovendo ações intersetoriais e interativas para favorecer a inclusão do estudante com TEA.
Gabarito: D
O Atendimento Educacional Especializado (AEE) não é uma aula paralela nem um “reforço” genérico. Ele serve para eliminar barreiras, organizar recursos, estratégias e apoios pedagógicos que permitam ao estudante com deficiência ou TEA acessar, participar e aprender com mais autonomia. Pela lógica da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva e do Decreto 7.611/2011, o AEE complementa ou suplementa a escolarização, sem substituir a classe comum. No caso do estudante com TEA, o professor do AEE precisa ir além da sala de recursos e articular o trabalho com a família, a equipe escolar e outros serviços quando necessário. Isso faz parte do cuidado pedagógico inclusivo: combinar informação, alinhamento de estratégias e ações integradas para favorecer comunicação, interação social, rotina e participação do aluno. Por isso, o gabarito é a letra D. Ela traduz exatamente uma função compatível com o AEE: desenvolver interação com a família e com a comunidade escolar e extraescolar, com ações intersetoriais e interativas. Em outras palavras, o professor do AEE não trabalha isolado, como se estivesse em uma ilha pedagógica. As demais alternativas escorregam em pontos clássicos: restringem demais o AEE, confundem AEE com apoio de cuidador ou inventam um ensino paralelo fora do currículo. A FGV gosta muito dessa diferença entre apoio pedagógico especializado e serviços de cuidado ou substituição da escolarização.