“As Ciências Sociais e, mais especificamente, a Educação, defrontam-se na virada da década de 80 para a de 90 com a denominada “crise de paradigmas”. Nesse contexto, o pensamento educacional brasileiro e os estudos sobre formação do professor voltam-se crescentemente para a compreensão dos aspectos microssociais, destacando-se e focalizando-se, sob novo prisma, o papel do agente-sujeito. Nesse cenário, privilegia-se a formação do professor-pesquisador” (PEREIRA, 2006) Assinale a opção que define corretamente as relações do professor com a pesquisa, de acordo com a visão de professor-pesquisador apresentada por Pereira no trecho citado.
- A)Trata-se de um professor que integra grupo de pesquisa, para manter-se atualizado com a produção científica da suja área.
Errada, porque integrar grupo de pesquisa e se atualizar é útil, mas não define o professor-pesquisador como sujeito que investiga a própria prática.
- B)É um professor que busca atualização permanente em cursos de formação continuada.
Errada, porque atualização permanente em cursos de formação continuada é importante, porém não equivale à relação orgânica entre docência, reflexão e pesquisa.
- C)Professores-pesquisadores são os que buscam em trabalhos de pesquisa qualificados embasamento para suas aulas.
Errada, porque consultar pesquisas qualificadas para embasar aulas é uma postura boa, mas ainda é uso de resultados de pesquisa, não produção investigativa do próprio professor.
- D)O termo “professor-pesquisador” opõe-se ao termo “professor-reflexivo”, que aponta para outro tipo de docente.
Errada, porque professor-pesquisador e professor-reflexivo não são opostos; na verdade, as ideias se aproximam e se complementam.
- E)Refere-se a um profissional reflexivo, que pensa-na-ação, cuja atividade profissional se alia à atividade de pesquisa.
Certa, porque descreve o profissional reflexivo que pensa-na-ação e articula sua atividade docente com a atividade de pesquisa.
Gabarito: E
A ideia de professor-pesquisador aparece quando a docência deixa de ser vista como simples execução de conteúdos prontos e passa a ser entendida como prática investigativa. Nessa visão, ensinar não é só repetir o que já vem embalado: o professor observa a realidade da sala, levanta problemas, testa caminhos, analisa resultados e reorienta sua ação. Em outras palavras, ele pensa a prática enquanto atua, e isso já tem cheiro de pesquisa. Esse movimento ganhou força no debate educacional porque, a partir da chamada crise de paradigmas, cresceu a valorização dos aspectos microssociais e do professor como sujeito ativo, capaz de interpretar e transformar sua prática. Autores como Donald Schön influenciaram muito essa leitura ao destacar o profissional reflexivo, que pensa-na-ação e sobre a ação, articulando conhecimento prático e investigação. Por isso, o gabarito é a letra E. Ela traduz exatamente essa relação entre reflexão e pesquisa: o docente não fica só no papel de consumidor de teorias, mas integra a pesquisa ao exercício profissional. A pesquisa vira parte do cotidiano da docência, ajudando o professor a compreender problemas reais e a tomar decisões pedagógicas mais consistentes. Em concursos, a banca gosta de confundir professor-pesquisador com professor que apenas faz curso, lê artigos ou participa de grupo de pesquisa. Isso tudo pode ajudar, mas não define o conceito central. O ponto principal é a atitude investigativa ligada à prática e à reflexão sobre o que acontece em sala de aula.