Já faz certo tempo que se abriram novas possibilidades documentais, que vêm expandindo a noção de arquivo e de acervo. Para além das bases escritas, se arrisca produzir novos conhecimentos a partir da análise de moedas, lápides, objetos de cultura material de uma maneira geral, fontes literárias, obras de teatro, telas, esculturas, imagens de jornal, cartazes, caricaturas e, tomando um lugar cada vez mais importante, fotografias. No entanto, vale a pena acentuar como continuamos encontrando um lugar “subalterno” para esse tipo de material, como se existisse uma hierarquia interna às fontes: em primeiro lugar os registros escritos, em segundo (e de maneira distanciada) as imagens. Mas penso que é chegada a boa hora de “lermos imagens” em sentido paralelo ao que destrinchamos um documento amarrotado, um texto clássico, um documento cartorial, uma notícia de jornal. Adaptado de: SCHWARCZ, Lilia. Lendo e agenciando imagens: o rei, a natureza e seus belos naturais. Sociologia & Antropologia, v. 4, 2014. Com base no trecho, o uso de fotografias como documentos históricos permite
- A)compreender eventos passados através do uso de uma prova irrefutável da realidade histórica.
Errada, porque fotografia não é prova irrefutável da realidade histórica; ela também é produzida com recortes, intenções e pontos de vista.
- B)usar as imagens como documentos capazes de construir modelos e concepções.
Certa, porque a imagem pode ser tratada como documento histórico e contribuir para construir interpretações, modelos e concepções sobre a realidade.
- C)adornar os textos acadêmicos com recursos pictóricos que dispensam interpretações ou contextualizações.
Errada, porque imagens não servem apenas para decorar textos: elas exigem interpretação e contextualização, como qualquer fonte histórica.
- D)perceber a estaticidade histórica dos recursos iconográficos que paralisam uma ação em seu tempo e espaço.
Errada, porque os recursos iconográficos não são estáticos nem paralisam o tempo; ao contrário, revelam práticas, sentidos e relações de uma época.
Gabarito: B
O trecho defende uma ideia bem importante nas Ciências Humanas: imagem não é enfeite, nem ilustração bonitinha de texto. Fotografia, pintura, cartaz, caricatura e outros registros visuais também podem ser fontes históricas, porque ajudam a construir interpretações sobre uma época, seus valores, conflitos, modos de vida e formas de pensar. Em História e em Pedagogia, isso significa tratar a imagem como documento, e não como mero complemento. Ela precisa ser lida com contexto: quem produziu, quando, para quê, para quem e em que परिस्थितa. Sem isso, a imagem vira quase uma fofoca visual. Com análise, ela ganha força explicativa e ajuda a formar modelos e concepções sobre o passado e o presente. Por isso, a alternativa B está correta: as imagens podem ser usadas como documentos capazes de construir modelos e concepções. É exatamente a proposta do texto da Lilia Schwarcz, que critica a hierarquia que coloca a imagem em segundo plano e defende que ela seja lida com o mesmo rigor dado aos documentos escritos. As demais alternativas erram porque tratam a fotografia como prova absoluta, adorno dispensável ou registro parado e sem interpretação. Na prática historiográfica, nenhuma fonte fala sozinha. Toda fonte exige leitura crítica, triangulação e contextualização.