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Pedagogia · FGV · 2023

Questão comentada de Pedagogia

Ocorre que, contrariamente à natureza do brincar, a educação formal e institucional baseia-se no controle de aprendizagens e conteúdos. Se considerarmos, no entanto, que a criança está imersa, desde o nascimento, num contexto social que a identifica como ser histórico e que pode por ela ser modificado, é importante superar as teses biológicas e etológicas da brincadeira. Essas teorias idealizam a criança, empobrecendo as possibilidades educacionais. Adaptado de Wajskop, Gisela. O brincar na educação infantil. Caderno de Pesquisa Fundação Carlos Chagas. nº 92. São Paulo: Fundação Carlos Chagas, 1995. O brincar, na perspectiva sociocultural, é considerado

Gabarito: C

Na perspectiva sociocultural, o brincar não é visto como simples passatempo nem como um treino mecânico para decorar conteúdos. Ele é entendido como uma prática social e histórica, em que a criança interage com outras pessoas, com objetos, com regras e com a cultura ao seu redor, construindo sentidos sobre o mundo e sobre si mesma. Em outras palavras: brincar não é “pausa” da educação, ele também educa. Gisela Wajskop, ao discutir o brincar na educação infantil, critica justamente as visões que reduzem a brincadeira a algo biológico, naturalizado ou apenas compensatório. Para essa abordagem, a criança não é um ser “pronto” que só precisa gastar energia; ela é sujeito histórico, ativo, que cria, imita, inventa, negocia e transforma a realidade no faz de conta e nas interações cotidianas. Por isso, o gabarito é a letra C. Ela acerta ao apresentar o brincar como espaço de constituição infantil, com dimensão imaginativa e diversidade de experiências, favorecendo desenvolvimento cognitivo, social, emocional e cultural. Essa ideia combina com a Base Nacional Comum Curricular, que reconhece interações e brincadeiras como eixos estruturantes da Educação Infantil, e com a tradição de Vygotsky, para quem o brincar amplia possibilidades de desenvolvimento e de atuação simbólica da criança. Então, quando a questão fala em perspectiva sociocultural, pense em brincadeira como linguagem, relação e construção de sentidos. Não é enfeite da aula - é parte central da formação infantil.

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