As epistemologias interculturais, ao defenderem a proposta de se introduzir epistêmes invisibilizadas e subalternizadas, surgem como uma proposta epistemológica que se contrapõe à
- A)psicologia genética de Piaget, que está centrada no estudo da constituição dos conhecimentos válidos, na elaboração dos fatos, na formalização lógico-matemática e no controle experimental.
Errada, porque Piaget trata do desenvolvimento cognitivo e da construção do conhecimento pela criança, não da disputa entre saberes hegemônicos e subalternizados.
- B)epistemologia histórica de Bachelard, que consiste em dar às ciências a filosofia que elas merecem.
Errada, porque Bachelard discute o progresso da ciência por rupturas epistemológicas, e não a crítica à centralidade eurocêntrica do conhecimento.
- C)teoria positivista do conhecimento, calcada na busca pela objetividade e na utilização de instrumentos voltados à quantificação que se centram no fato como construção do conhecimento.
Errada, porque o positivismo valoriza objetividade e quantificação, mas a descrição da alternativa mistura isso com uma formulação que não corresponde ao foco da questão.
- D)filosofia racionalista crítica de Popper, a qual se constitui na verificação de valor das teorias científicas, por meio dos princípios da verificação e da falsificação.
Errada, porque Popper trabalha com falseabilidade e crítica às teorias científicas, mas isso não é o alvo da contraposição feita pelas epistemologias interculturais.
- E)geopolítica do conhecimento, como a estratégia da modernidade europeia que afirmou suas teorias, seus conhecimentos e seus paradigmas como verdades universais.
Certa, porque a epistemologia intercultural critica justamente a geopolítica do conhecimento que universalizou a produção europeia como se fosse a única válida.
Gabarito: E
As epistemologias interculturais partem de uma ideia simples, mas poderosa: o conhecimento não nasce só na Europa, nem apenas na ciência hegemônica. Elas defendem que saberes indígenas, afrodescendentes, populares e de outros grupos historicamente silenciados também produzem conhecimento válido e precisam entrar no debate em pé de igualdade. É uma virada contra a lógica de hierarquizar saberes. Na prática, isso significa criticar a visão de que existe um centro que define o que é conhecimento verdadeiro e uma periferia que apenas repete. Essa crítica aparece muito em autores como Aníbal Quijano, Walter Mignolo, Catherine Walsh e Boaventura de Sousa Santos, especialmente nas discussões sobre colonialidade do saber e ecologia de saberes. A ideia é desfazer a “monocultura” do conhecimento. Por isso, o gabarito é a letra E. A epistemologia intercultural se contrapõe à geopolítica do conhecimento, isto é, à estratégia da modernidade europeia que universalizou suas teorias, seus métodos e seus paradigmas como se fossem neutros e válidos para todo mundo. Em outras palavras: ela questiona o velho truque de transformar a visão europeia em padrão universal. A questão cobra exatamente essa oposição entre conhecimento hegemônico e saberes subalternizados. Se você lembrar de termos como colonialidade, eurocentrismo e subalternização dos saberes, já fica muito perto da resposta certa.