Segundo Candau (2012, p.236): “A presença de grupos socioculturais diversos nos cenários públicos, tanto no âmbito internacional como no Brasil, tem provocado tensões, conflitos, diálogos e negociações orientadas à construção de políticas públicas que focalizem estas questões. Em cada contexto esta problemática adquire uma configuração específica, articulada com as diversas construções históricas e político-culturais de cada realidade. A afirmação das diferenças – étnicas, de gênero, orientação sexual, religiosas, entre outras – manifesta-se de modos plurais, assumindo diversas expressões e linguagens. As problemáticas são múltiplas, visibilizadas especialmente pelos movimentos sociais que denunciam injustiças, desigualdades e discriminações, reivindicando igualdade de acesso a bens e serviços e reconhecimento político e cultural”. Para lidar com a problemática descrita no trecho citado, a autora defende que se adote uma perspectiva
- A)transcutural.
Errada, porque "transcultural" não é o conceito usado por Candau para enfrentar conflitos e desigualdades entre grupos diversos no contexto educacional.
- B)intercultural.
Certa, pois a perspectiva intercultural valoriza o diálogo entre diferenças, o reconhecimento das identidades e a construção de relações mais justas.
- C)supracultural.
Errada, porque "supracultural" sugere algo acima das culturas, e a autora não defende apagar ou superar as culturas, mas colocá-las em interação.
- D)acultural.
Errada, porque uma visão acultural ignora a dimensão cultural dos sujeitos, justamente o oposto do que o texto enfatiza.
- E)universal.
Errada, porque a perspectiva universal tende a generalizar e homogenizar, enquanto o trecho destaca diferenças, conflitos e reconhecimento específico dos grupos.
Gabarito: B
A questão trata da forma de enfrentar as diferenças culturais, étnicas, religiosas, de gênero e outras presentes na sociedade e na escola. Quando esses grupos aparecem no espaço público, surgem conflitos, disputas por reconhecimento e também a necessidade de construir convivência democrática sem apagar identidades. É exatamente aí que entra a perspectiva intercultural. A interculturalidade parte da ideia de diálogo entre culturas, com troca, reconhecimento e enfrentamento das desigualdades. Não se trata de fingir que todo mundo é igual, nem de colocar uma cultura acima da outra, mas de criar relações mais justas entre sujeitos e grupos diferentes. Em educação, isso significa valorizar a diversidade sem transformar diferenças em hierarquias. Por isso o gabarito é a letra B. Candau é uma referência forte nesse tema e defende a educação intercultural como caminho para lidar com as tensões produzidas pela diversidade, especialmente quando há discriminação e exclusão. A escola, nessa visão, não deve apenas tolerar diferenças, mas problematizá-las e promover diálogo crítico. As outras alternativas tentam confundir você com termos que parecem sofisticados, mas não traduzem essa proposta. Em concurso, quando o enunciado fala de reconhecimento político, cultural, conflitos e negociação entre grupos diversos, a pista quase sempre aponta para interculturalidade.