Leia o fragmento a seguir. As escolas são acusadas de corromper a sociedade, mas refletem, tão somente, o que já vai pela própria sociedade. A teoria dos educadores busca ajustar a escola às necessidades dessas transformações, procurando retificá-las e harmonizá-las mutuamente. Adaptado de TEIXEIRA, Anísio. Pequena introdução à Filosofia da Educação. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1971. A posição da escola expressa no fragmento acima pode ser descrita como
- A)precedência sobre a sociedade, que ela tem o papel de corrigir e transformar.
Errada, porque o texto não atribui à escola um papel de superioridade sobre a sociedade nem de correção unilateral.
- B)passividade em relação ao que se passa na sociedade, dado que isto a determina.
Errada, porque a escola não é apresentada como simples produto passivo da sociedade; há influência recíproca entre ambas.
- C)interdependência com a sociedade, dado que se influenciam mutuamente.
Certa, pois o fragmento indica que escola e sociedade se afetam mutuamente, em uma relação de interdependência.
- D)neutralidade em relação à sociedade, posto que são processos paralelos.
Errada, porque o texto não fala em neutralidade ou paralelismo, mas em ajuste, transformação e harmonização entre escola e sociedade.
Gabarito: C
O fragmento de Anísio Teixeira mostra uma visão bem sociológica da educação: a escola não vive isolada, como se estivesse em uma bolha. Ela nasce dentro da sociedade, sente suas mudanças e, ao mesmo tempo, ajuda a moldá-las. É aquela relação de mão dupla: a sociedade influencia a escola, e a escola também devolve influência para a sociedade. Por isso, não faz sentido dizer que a escola é totalmente passiva, nem que ela manda sozinha na sociedade. O texto fala em ajustar a escola às transformações sociais e em retificar e harmonizar essas mudanças mutuamente. Ou seja, existe interação, troca e influência recíproca. Essa ideia dialoga com a sociologia da educação, especialmente com a noção de que a escola reproduz aspectos sociais, mas também pode contribuir para a transformação social. Em termos práticos, ela não é nem “salvadora da pátria” nem mera espectadora: participa do jogo social. Logo, o gabarito é a letra C, porque a posição descrita é de interdependência com a sociedade, já que ambas se influenciam mutuamente.