Quando você fala da classificação dos seres vivos, eles têm uma noção do que que é o animal, já viram.... De fato, eles classificam de forma diferente. Muitos classificam animais do ar, animais da terra, animais da água. É uma classificação bem generalizada. Então quando a gente chega e mostra esse conhecimento, como que é essa classificação biológica para ciência, a gente faz aulas práticas também.... Então, eles demonstram muito interesse. E isso é muito rico! Depoimento de Joana. Monteiro, L. M. el alii. Educação indígena e o ensino de ciências e biologia: uma investigação sobre sujeitos e aprendizagens plurais. Revista de Ensino de Biologia. ISSN: 1982-1867 - vol. 12, nº 2, p. 207-225, 2019. Segundo as afirmações de Joana e os estudos sobre ensino de Ciências, analise as afirmativas a seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa. ( ) A LDB defende como objetivo da escola indígena o acesso às informações, aos conhecimentos técnicos e científicos da sociedade nacional e demais sociedades indígenas e não indígenas. ( ) O ensino de ciências intercultural é capaz de criar um diálogo entre informações de origem fundamentalmente distintas, como os das sociedades indígenas e os da sociedade nacional. ( ) A classificação dos seres vivos em animais do ar, animais da terra e animais da água apresenta o conhecimento tradicional como uma das formas possíveis de conhecimento, interpretação e explicação da natureza e seus fenômenos. As afirmativas são, respectivamente,
- A)V, V e F.
Errada, porque a terceira afirmativa também é verdadeira.
- B)V, F e F.
Errada, porque a segunda e a terceira afirmativas não são falsas.
- C)F, V e V.
Errada, porque a primeira afirmativa não é falsa.
- D)V, F e V.
Errada, porque a segunda afirmativa não é falsa.
- E)V, V e V.
Correta, porque as três afirmativas estão de acordo com a LDB e com a abordagem intercultural do ensino de Ciências.
Gabarito: E
A questão mistura LDB, educação escolar indígena e interculturalidade no ensino de Ciências. A lógica aqui é simples: a escola indígena não existe para apagar o saber tradicional, mas para dialogar com ele e ampliar o acesso ao conhecimento produzido pela sociedade mais ampla. Por isso, a LDB e a legislação específica da educação escolar indígena valorizam o bilinguismo, a interculturalidade e o respeito aos processos próprios de aprendizagem, sem fechar a porta para os conhecimentos técnicos e científicos da sociedade nacional e de outros povos. No ensino de Ciências, isso faz muito sentido: quando o professor parte da classificação que o aluno já usa no cotidiano, ele não está 'corrigindo' o saber indígena, mas conectando diferentes formas de explicar a natureza. Esse diálogo entre saberes é justamente o coração da abordagem intercultural. A ciência escolar ganha em sentido, e o conhecimento tradicional aparece como uma forma legítima de interpretação do mundo, não como algo menor ou folclórico. É por isso que as três afirmativas estão corretas. A primeira está alinhada ao art. 78 da LDB (Lei 9.394/1996), que prevê o desenvolvimento de programas de ensino e pesquisa para oferecer à comunidade indígena acesso aos conhecimentos técnicos e científicos da sociedade nacional e de outras sociedades indígenas e não indígenas. A segunda descreve com precisão a proposta do ensino intercultural, que promove diálogo entre matrizes de conhecimento distintas. A terceira também está certa porque reconhece a classificação tradicional dos seres vivos como uma explicação válida e organizada da natureza, entre outras possíveis. Em resumo: quando a escola respeita o saber prévio e cria ponte com a ciência, todo mundo aprende mais. E, na educação indígena, essa ponte não é enfeite pedagógico: é princípio legal e pedagógico. Por isso, o gabarito é a alternativa E.