Nas palavras de LARCHERT (s.d.), “Todo planejamento deve retratar a prática pedagógica da escola e do professor. No entanto, a história da educação brasileira tem demonstrado que o planejamento educacional tem sido uma prática desvinculada da realidade social, marcada por uma ação mecânica, repetitiva e burocrática, contribuindo pouco para mudanças na qualidade da educação escolar”. Para se evitar que o planejamento fique sujeito à desvinculação apontada no texto, é necessário que o educador leve em consideração alguns pressupostos. As opções a seguir apresentam pressupostos que devem ser incluídos na ação de planejar o ensino, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)Para planejar, o educador deve conhecer em profundidade os conceitos centrais e leis gerais da disciplina.
Certa, porque conhecer profundamente os conceitos e leis da disciplina é base indispensável para planejar com segurança e coerência.
- B)Para planejar, o educador deve escolher exemplos concretos e atividades práticas que demonstrem os conceitos e leis gerais, os conteúdos e os assuntos de maneira que todos os entendam.
Certa, porque exemplos concretos e atividades práticas ajudam a transformar o conteúdo em aprendizagem compreensível e significativa.
- C)Para planejar, o educador deve saber criar problemas e saber orientá-los (situações de aprendizagem mais complexas, com maior grau de incerteza que propiciem, em maior medida, a iniciativa e a criatividade do aluno).
Certa, porque o planejamento deve prever situações-problema que estimulem iniciativa, reflexão e criatividade do aluno.
- D)Para planejar, o educador deve saber avançar das leis gerais para a realidade concreta, entender a complexidade do conhecimento para poder orientar a aprendizagem.
Certa, porque planejar também é articular o conhecimento abstrato com a realidade concreta e com a complexidade da aprendizagem.
- E)Para planejar, o educador deve estabelecer rigorosa separação entra a dimensão técnica e a dimensão política do planejamento.
Errada, porque o planejamento não deve separar rigidamente a dimensão técnica da dimensão política; as duas são interdependentes.
Gabarito: E
Planejamento educacional, em especial o planejamento do ensino, não é um roteiro engessado nem um formulário para cumprir tabela. Ele precisa nascer da realidade concreta da escola, do aluno e do contexto social, para que o professor saiba o que ensinar, como ensinar e para quem ensinar. Por isso, planejar exige domínio do conteúdo, escolha de exemplos e atividades significativas, capacidade de propor problemas e ligação entre teoria e prática. A ideia central aqui é simples: quando o planejamento ignora a realidade, ele vira uma peça burocrática, bonita no papel e fraca na sala de aula. Em vez de separar o saber técnico do compromisso político, o educador precisa articular os dois, porque educar também é intervir na realidade e formar sujeitos críticos. Essa visão é coerente com a tradição pedagógica crítica e com a LDB (Lei 9.394/1996), que valoriza a vinculação da educação ao trabalho, à prática social e ao desenvolvimento integral do aluno. É por isso que a alternativa E está correta na lógica da questão: ela traz um pressuposto incompatível com o planejamento educativo significativo. Separar rigidamente dimensão técnica e dimensão política é um erro, porque o planejamento sempre envolve escolhas, valores, finalidades e contexto social. Ou seja, planejar não é só organizar conteúdos, mas definir intencionalmente uma ação pedagógica com sentido social. Então, para não cair na armadilha, pense assim: bom planejamento não é neutro, não é mecânico e não vive fora da realidade. Ele precisa conectar conhecimento, prática, criatividade e compromisso social.