“Muito se diz sobre uma “nova postura” do professor ante as novas tecnologias educacionais, como seu novo papel de “orientador” dos alunos na sua busca pelo conhecimento. Mas considera-se que essa realidade apresentada à escola com a inserção das novas tecnologias não representa apenas outra postura do profissional da educação perante o conhecimento desenvolvido com seus alunos, representa profunda ruptura com as formas anteriores de ensino/aprendizagem”. (ARRUDA, 2023) As opções abaixo contêm razões apontadas pelo autor para justificar a “ruptura” que ele projeta, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)A utilização de softwares e a configuração da Internet trazem consigo novas formas cognitivas do pensar/aprender e representam uma radicalização das maneiras de lidar com o conhecimento.
Correta, porque a internet e os softwares alteram formas de pensar, aprender e lidar com o conhecimento.
- B)A relação tempo-espaço apresentada pela escola é limitada àquele espaço físico, ao passo que as novas tecnólogas modificam as possibilidades de comunicação, com o apagamento das fronteiras espaço-temporais.
Correta, porque as tecnologias ampliam a comunicação e rompem limites rígidos de tempo e espaço da escola tradicional.
- C)A interatividade proporcionada pelas novas tecnologias constitui um novo espaço para a construção de identidades e a compreensão do mundo.
Correta, porque a interatividade digital favorece construção de identidades e novas leituras do mundo.
- D)O próprio conhecimento se apresenta de forma diferente, vinculado a tecnologias que exigem novos processos de aprendizagem.
Correta, porque o conhecimento mediado por tecnologias exige outros modos de aprender e de organizar o ensino.
- E)As questões diretamente ligadas à emergência das novas tecnologias afetam de forma exclusiva o ensino na modalidade à distância.
Errada, porque os efeitos das novas tecnologias não se limitam ao ensino a distância, alcançando toda a educação.
Gabarito: E
A questão trata de um ponto clássico em Tecnologias Educacionais: as tecnologias digitais não mudam só a ferramenta, mas também a forma de ensinar, aprender, comunicar e produzir conhecimento. Quando o autor fala em “ruptura”, ele está dizendo que a escola passa a lidar com novas lógicas cognitivas, novas formas de interação e novas relações com tempo, espaço e informação. Não é só colocar computador na sala e seguir tudo igual, porque aí a tecnologia vira enfeite caro. Por isso, fazem sentido as ideias de que a Internet amplia a comunicação, embaralha fronteiras entre tempo e espaço, cria interatividade e exige novos processos de aprendizagem. Também é coerente afirmar que o conhecimento ganha outra configuração quando passa a circular por ambientes digitais e redes de informação. O erro da alternativa E está em restringir esse impacto exclusivamente ao ensino a distância. As tecnologias educacionais afetam a educação como um todo: ensino presencial, híbrido, remoto, avaliação, autoria, colaboração e gestão da aprendizagem. Ou seja, não é um fenômeno “só do EAD”, mas uma transformação mais ampla da prática pedagógica. Em termos doutrinários, isso conversa com a ideia de mediação tecnológica e com a concepção de que a escola precisa reorganizar suas práticas diante das culturas digitais. A FGV costuma cobrar exatamente essa leitura: tecnologia não como acessório, mas como mudança de paradigma.