“Nos currículos, os sujeitos desaparecem, não têm espaço como sujeitos de experiências, de conhecimentos, de pensares, valores e culturas. Não se reconhece sua voz, nem sequer estão expostas as marcas de suas ausências. O que importa quem fala? Quem são os mestres que ensinarão os conhecimentos? Menos, ainda, o que importam aqueles que escutam, que aprenderão suas lições?” Adaptado de ARROYO, Miguel. Currículo, território em disputa. Petrópolis: Vozes, 2011. Assinale a opção que identifica corretamente a denúncia exposta no trecho acima.
- A)A eficiência dos processos educativos é prejudicada pela contaminação com temáticas subjetivas.
Errada, porque o texto não critica a subjetividade, mas justamente a falta de espaço para as experiências humanas no currículo.
- B)Os professores conduzem os processos educativos com negligência em relação aos currículos.
Errada, porque não se trata de negligência docente, e sim de uma denúncia sobre a forma como o currículo apaga sujeitos e vozes.
- C)Os currículos dão uma importância muito maior às experiências dos alunos do que às dos professores.
Errada, porque o trecho não diz que os alunos têm mais espaço que os professores, mas que ambos são invisibilizados como sujeitos.
- D)A construção dos currículos ignora a experiência dos participantes diretos do processo educativo.
Certa, porque o texto denuncia que o currículo deixa de considerar a experiência, a voz e a cultura dos participantes do processo educativo.
- E)O descaso com os direitos de autoria dos materiais didáticos contribui para a invisibilidade dos sujeitos.
Errada, porque a questão trata de apagamento dos sujeitos no currículo, e não de direitos autorais de materiais didáticos.
Gabarito: D
A questão trata da crítica ao currículo tradicional que finge ser neutro, mas na prática escolhe quem pode aparecer e quem fica invisível. Miguel Arroyo chama atenção para isso: muitas vezes o currículo valoriza apenas os conteúdos e as vozes já legitimadas, deixando de lado os sujeitos reais da escola, com suas experiências, culturas, memórias e saberes. Perceba o tom da denúncia no trecho: os alunos e demais participantes do processo educativo não entram como pessoas concretas, mas quase como figurantes. É como se o currículo dissesse: "o conteúdo fala por si", quando, na verdade, toda seleção curricular envolve escolhas humanas, disputas e relações de poder. Isso dialoga com a perspectiva crítica do currículo, muito presente em Arroyo, que defende reconhecer os sujeitos e suas vivências como parte do conhecimento escolar. Por isso, o gabarito é a letra D. Ela resume exatamente a crítica feita no texto: a construção curricular ignora a experiência dos participantes diretos do processo educativo. Em vez de incluir a voz de quem ensina e de quem aprende, o currículo apaga essas presenças e trata o conhecimento como algo sem rosto. No campo educacional, isso se opõe à ideia de currículo como território de disputa e de reconhecimento dos sujeitos. Se você quiser memorizar com carinho de prova: sempre que o enunciado falar em invisibilidade, silêncio, ausência de voz e apagamento dos sujeitos, pense em currículo crítico, não em currículo técnico e neutro. A FGV adora esse tipo de leitura mais fina do texto.