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Pedagogia · FGV · 2023

Questão comentada de Pedagogia

“Nos currículos, os sujeitos desaparecem, não têm espaço como sujeitos de experiências, de conhecimentos, de pensares, valores e culturas. Não se reconhece sua voz, nem sequer estão expostas as marcas de suas ausências. O que importa quem fala? Quem são os mestres que ensinarão os conhecimentos? Menos, ainda, o que importam aqueles que escutam, que aprenderão suas lições?” Adaptado de ARROYO, Miguel. Currículo, território em disputa. Petrópolis: Vozes, 2011. Assinale a opção que identifica corretamente a denúncia exposta no trecho acima.

Gabarito: D

A questão trata da crítica ao currículo tradicional que finge ser neutro, mas na prática escolhe quem pode aparecer e quem fica invisível. Miguel Arroyo chama atenção para isso: muitas vezes o currículo valoriza apenas os conteúdos e as vozes já legitimadas, deixando de lado os sujeitos reais da escola, com suas experiências, culturas, memórias e saberes. Perceba o tom da denúncia no trecho: os alunos e demais participantes do processo educativo não entram como pessoas concretas, mas quase como figurantes. É como se o currículo dissesse: "o conteúdo fala por si", quando, na verdade, toda seleção curricular envolve escolhas humanas, disputas e relações de poder. Isso dialoga com a perspectiva crítica do currículo, muito presente em Arroyo, que defende reconhecer os sujeitos e suas vivências como parte do conhecimento escolar. Por isso, o gabarito é a letra D. Ela resume exatamente a crítica feita no texto: a construção curricular ignora a experiência dos participantes diretos do processo educativo. Em vez de incluir a voz de quem ensina e de quem aprende, o currículo apaga essas presenças e trata o conhecimento como algo sem rosto. No campo educacional, isso se opõe à ideia de currículo como território de disputa e de reconhecimento dos sujeitos. Se você quiser memorizar com carinho de prova: sempre que o enunciado falar em invisibilidade, silêncio, ausência de voz e apagamento dos sujeitos, pense em currículo crítico, não em currículo técnico e neutro. A FGV adora esse tipo de leitura mais fina do texto.

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