De acordo com Magda Soares, educadora, linguista e pesquisadora mineira, a alfabetização e o letramento são processos
- A)similares, que se caracterizam como a forma utilizada para a aquisição do código alfabético, que acontece graças aos textos construídos especificamente para esse fim.
Errada, porque alfabetização não se resume a textos criados especificamente para esse fim nem é apenas a aquisição do código alfabético de forma isolada.
- B)simultâneos, envolvendo habilidades, competências e conhecimentos específicos, que implicam formas de aprendizagem diferenciadas.
Certa, porque alfabetização e letramento ocorrem de modo simultâneo, com aprendizagens diferentes, mas articuladas no processo de formação do leitor e escritor.
- C)interdependentes, cujo objetivo final é a apropriação do sistema de escrita alfabético, ou seja, codificação e decodificação da língua, por meio da leitura e da escrita.
Errada, porque mistura os conceitos: a apropriação do sistema alfabético é da alfabetização, mas o letramento não se reduz a codificação e decodificação.
- D)distintos, sendo o letramento um método de alfabetização com uso de textos reais, que fazem parte do cotidiano e da realidade dos educandos.
Errada, porque letramento não é um método de alfabetização, e sim o conjunto de práticas sociais de leitura e escrita vividas pelo sujeito.
Gabarito: B
Magda Soares é uma referência quando o assunto é alfabetização e letramento, e ela sempre insiste numa ideia importante: esses processos não são a mesma coisa, mas caminham juntos. Alfabetização é a apropriação do sistema de escrita alfabético, isto é, aprender a ler e escrever no sentido de dominar as relações entre letras, sons e convenções da escrita. Já o letramento diz respeito ao uso social da leitura e da escrita, ou seja, saber para que servem esses conhecimentos na vida real, nos textos, nas práticas sociais e no cotidiano. Por isso, a relação entre alfabetização e letramento é simultânea e articulada. Enquanto a criança aprende o código, ela também precisa ser inserida em situações reais de leitura e escrita, para entender que escrever bilhete, ler placa, consultar lista ou apreciar uma história têm funções diferentes. Não faz sentido tratar um processo como se fosse etapa isolada do outro, porque a aprendizagem fica mais rica quando os dois acontecem de forma integrada. O gabarito é a letra B porque traduz exatamente essa visão: são processos simultâneos, com habilidades, competências e conhecimentos específicos, mas que exigem formas de aprendizagem diferentes. Em outras palavras, você não aprende a ler só decorando letras, nem se letrar apenas manuseando textos sem compreender o sistema. Um completa o outro. Essa ideia é muito cobrada em concurso porque a FGV gosta de distinguir conceito de prática. Se aparecer uma alternativa dizendo que alfabetização e letramento são sinônimos, ou que um substitui o outro, desconfie na hora. Na teoria de Magda Soares, o bom caminho é unir o domínio do código com o uso social da escrita.