No que se refere às funções da avaliação de aprendizagem, ela permite o julgamento e a consequente classificação, mas essa não é a sua função constitutiva. É importante estar atento à sua função ontológica (constitutiva), que é de diagnóstico, e por isso mesmo a avaliação cria a base para a tomada de decisão que é o meio de encaminhar os atos subsequentes na perspectiva da busca de maior satisfatoriedade nos resultados. Por isso, é importante estar atento aos instrumentos de coleta de dados, sejam eles quais forem. Adaptado de LUCKESI, Cipriano. Avaliação da Aprendizagem escolar: estudos e proposições. São Paulo: Cortez, 1999. p. 75 – 78 Com base na concepção de avaliação do autor citado, pode-se afirmar que, na construção do instrumento de coleta de dados, é importante
- A)articulá-lo com os conteúdos da Base Nacional Comum Curricular, independentemente de terem esses conteúdos sido ensinados.
Errada, porque o instrumento não deve cobrar conteúdo apenas por estar na BNCC, mas sim aquilo que foi efetivamente ensinado e trabalhado.
- B)compatibilizá-lo com as habilidades que foram praticadas no processo de ensino-aprendizado.
Certa, pois o instrumento precisa ser coerente com as habilidades praticadas no processo de ensino-aprendizagem, permitindo diagnóstico real da aprendizagem.
- C)assegurar o maior nível de dificuldade esperado que o educando tenha aprendido.
Errada, porque aumentar o nível de dificuldade não é finalidade da avaliação; o importante é verificar aprendizagem com pertinência pedagógica.
- D)cobrir, em sua maioria, uma amostra significativa de todos os conteúdos não essenciais.
Errada, porque a avaliação não deve priorizar conteúdos não essenciais nem uma amostra aleatória, mas sim objetivos e habilidades significativos.
- E)usar uma linguagem técnica para comunicar com precisão ao educando o que está sendo pedido.
Errada, porque linguagem excessivamente técnica pode até confundir o aluno; o essencial é clareza e adequação ao que foi ensinado.
Gabarito: B
Na visão de Luckesi, avaliação não é um momento para “carimbar” o aluno com aprovado ou reprovado. A função principal da avaliação é diagnosticar: ela mostra onde o estudante está, o que já domina e o que ainda precisa ser retomado. Em outras palavras, a avaliação serve para iluminar o caminho, não para virar sentença final. Por isso, quando o professor vai construir um instrumento de coleta de dados, ele precisa pensar primeiro nas aprendizagens efetivamente trabalhadas em sala. O instrumento deve conversar com o que foi ensinado e praticado no processo de ensino-aprendizagem, para que o resultado realmente ajude na tomada de decisão pedagógica. Sem isso, a avaliação vira pegadinha de laboratório, e não um recurso de ensino. É exatamente essa a lógica da alternativa B: o instrumento precisa ser compatível com as habilidades que foram exercitadas durante o processo. Assim, o professor consegue verificar o que o aluno desenvolveu e usar o diagnóstico para intervir, recuperar, aprofundar ou reorientar a aprendizagem. Esse entendimento está alinhado à perspectiva formativa e diagnóstica de avaliação defendida por Luckesi, em oposição à avaliação meramente classificatória. O foco está em coletar dados úteis para melhorar a aprendizagem, e não em produzir surpresa ou dificuldade artificial.