“O pensamento decolonial desestabiliza todo tipo de doutrinamento inquestionável e, portanto, prepara o intelectual para dar o primeiro passo: questionar.” MIGNOLO, Walter D. A opção de-colonial: desprendimento e abertura. Um manifesto e um caso. Disponível em:http://revistatabularasa.org/numero-8/mignolo1.pdf . Acesso em 30 mar. 2023. Para Mignolo (2008), esse questionamento é chamado de
- A)desobediência epistêmica.
Correta, porque nomeia a recusa em obedecer ao padrão colonial de validação do conhecimento.
- B)conhecimento puro.
Errada, porque o pensamento de Mignolo critica a pretensão de um saber neutro e universal, não defende um 'conhecimento puro'.
- C)transgressão da produção fabril.
Errada, pois a questão trata de epistemologia e colonialidade, não de produção fabril ou trabalho industrial.
- D)episteme fundacional da matriz colonial.
Errada, porque a matriz colonial é justamente o alvo da crítica decolonial, não a base a ser afirmada.
- E)doutrina de gênero.
Errada, pois 'doutrina de gênero' não corresponde ao conceito central apresentado no texto de Mignolo.
Gabarito: A
Walter Mignolo é um dos principais autores do pensamento decolonial, que critica a ideia de que existe um único modo legítimo de produzir conhecimento, quase sempre centrado na experiência europeia. A proposta dele é romper com esse padrão e abrir espaço para outros saberes, outras vozes e outras formas de interpretar a realidade. Em vez de aceitar o “já dado” como verdade absoluta, a ideia é desconfiar, perguntar e confrontar o que foi imposto como universal. É exatamente aí que entra a noção de desobediência epistêmica. “Epistêmica” tem a ver com conhecimento, e “desobediência” aqui significa não aceitar de forma passiva a autoridade do saber colonial/moderno como se ele fosse o único válido. O intelectual decolonial precisa se libertar dessa obediência automática e questionar os critérios que definem o que conta como conhecimento. Por isso, o gabarito é a letra A. Para Mignolo, o primeiro movimento é desobedecer ao cânone que naturaliza hierarquias entre saberes. Não se trata de destruir o conhecimento, mas de tirar o monopólio de uma única matriz de pensamento e abrir caminho para outras epistemologias, inclusive as produzidas no Sul Global. Em prova, sempre desconfie quando o enunciado falar em crítica ao eurocentrismo, ao colonialismo intelectual e à suposta neutralidade do saber. Nesse contexto, a expressão correta costuma ser justamente a ideia de desobediência epistêmica, muito associada ao projeto decolonial latino-americano.