Leia o testemunho a seguir a respeito do planejamento escolar: Quanto à escrita dos planos, com definição dos objetivos, conteúdos e formas de avaliação, as professoras-coordenadoras disseram que, geralmente, cada professor se responsabiliza por planejar determinada disciplina e depois trocam os planos. Há também professores que fazem planos mais genéricos, copiados dos colegas. Ademais, copiar planos do ano anterior é uma prática ainda presente nas escolas. ESTEVES CAMPOS, E. A pesquisa-ação como instrumento da coordenação pedagógica: reflexões sobre o planejamento escolar. Santos: Leopoldianum, 2016. Com base no trecho acima, assinale a afirmativa que apresenta uma crítica às formas citadas de conceber o planejamento.
- A)Elas priorizam a colaboração interdisciplinar entre os docentes.
Errada, porque copiar ou generalizar planos não fortalece a colaboração interdisciplinar, mas tende a enfraquecer a autoria pedagógica e a adequação ao contexto.
- B)Elas valorizam o saber do aluno em detrimento da orientação do professor
Errada, porque o texto não fala em valorizar o saber do aluno contra a orientação do professor; a crítica é à falta de contextualização do planejamento.
- C)Elas questionam o sentido burocrático do planejamento no âmbito escolar.
Errada, porque a crítica não é ao caráter burocrático em si, mas ao fato de o planejamento desconsiderar a realidade concreta dos estudantes.
- D)Elas desconsideram os diferentes contextos, as necessidades e características dos alunos.
Certa, porque o enunciado critica planos genéricos e copiados, que ignoram os diferentes contextos, necessidades e características dos alunos.
- E)Elas depreciam a transmissão de conteúdos e conceitos para abrir espaço aos interesses apresentados pelos alunos.
Errada, porque o trecho não discute oposição entre conteúdos e interesses dos alunos; o foco é a impropriedade de um planejamento descontextualizado.
Gabarito: D
Planejamento escolar não é para virar um ritual de preencher papel e arquivar na gaveta. Ele deve ser um instrumento vivo, ligado à realidade da turma, ao projeto pedagógico da escola e aos objetivos de aprendizagem. Quando o professor copia plano de colega, reaproveita o do ano anterior sem adaptações ou faz um modelo genérico, o risco é tratar a turma como se fosse sempre igual, o que não existe na prática. A crítica central do trecho é justamente essa: o planejamento perde sentido quando ignora quem são os alunos, o contexto da escola e as necessidades concretas daquele grupo. Em vez de orientar a ação pedagógica, ele vira uma peça pronta, distante da sala de aula real. E aí o plano até fica bonitinho no papel, mas a aprendizagem continua pedindo passagem. Por isso, o gabarito é a letra D. Planejar bem exige diagnóstico da realidade, definição de objetivos, escolha de conteúdos, metodologias e avaliação coerentes com o perfil dos estudantes. Essa ideia conversa com a LDB (Lei 9.394/1996), especialmente quando ela valoriza o vínculo entre educação escolar, mundo do trabalho e prática social, além da elaboração coletiva e contextualizada da proposta pedagógica. Em termos pedagógicos, a crítica é à padronização vazia. Um bom planejamento não pode ser uma receita de bolo replicada sem olhar para a turma, porque ensino eficaz depende de adequação, intencionalidade e revisão constante.