Esta é uma grande descoberta: a educação é política! Então, o professor tem de se perguntar: “Que tipo de política estou fazendo em classe?” Ou seja: “Estou sendo um professor a favor de quem?” Ao se perguntar a favor de quem está educando, o professor também deve saber que está educando contra alguma coisa. Adaptado de FREIRE, Paulo; SHOR, Ira. Medo e ousadia: o cotidiano do professor. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2013. O trecho acima transcreve a fala de Paulo Freire, em diálogo com o também educador Ira Shor, no qual defende a tese de que lecionar é se posicionar politicamente. Assinale a opção que descreve a ação adequada ao posicionamento adotado por Freire.
- A)Relacionar-se com os alunos de maneira aberta à troca de ideias e à participação ativa de todos.
Certa: expressa a prática dialógica, participativa e aberta à troca de ideias defendida por Paulo Freire.
- B)Transmitir para os alunos os conceitos mais abstratos da ciência política e do debate acadêmico.
Errada: reduz a ação docente à transmissão de conteúdos abstratos, distante da pedagogia crítica e dialogada de Freire.
- C)Conscientizar os alunos a respeito das questões políticas relevantes, para além da sua realidade social.
Errada: a conscientização freireana parte da realidade concreta do aluno, e não de questões políticas afastadas do seu contexto.
- D)Convencer os alunos em favor do posicionamento políticoideológico mais correto e justo.
Errada: Freire não defende doutrinação nem convencimento ideológico, mas formação crítica e autonomia do educando.
Gabarito: A
Paulo Freire entende a educação como um ato político porque ensinar nunca é neutro: toda prática pedagógica envolve escolhas, valores e efeitos sociais. Na visão dele, o professor não é um “depositário” de conteúdo, mas um mediador que dialoga com a realidade do aluno e o ajuda a ler o mundo criticamente. Isso aparece com força na ideia de pedagogia problematizadora, em oposição à chamada educação bancária, em que o aluno só recebe informação passivamente. Por isso, quando Freire fala em se perguntar “a favor de quem” se está ensinando, ele está defendendo uma postura docente aberta ao diálogo, à escuta e à participação dos estudantes. O professor não deve impor uma verdade pronta nem manipular ideologicamente a turma, mas criar condições para que todos pensem, questionem e se tornem sujeitos do processo de aprendizagem. Isso combina com a noção freireana de conscientização: aprender a partir da realidade vivida, com reflexão crítica e participação. A alternativa A está correta porque descreve exatamente essa relação pedagógica horizontal e participativa. Ela traduz a prática dialógica que Freire valoriza, em que o professor acolhe a troca de ideias e constrói o conhecimento com os alunos, e não apenas para os alunos. Em resumo: para Freire, ensinar é um ato político sim, mas político no sentido de formar sujeitos críticos e autônomos, e não de doutrinar. Se a banca cita Freire e fala em diálogo, participação e leitura crítica da realidade, acenda a luz verde.