Com relação ao sentido atribuído ao conceito de “descolonização”, referido ao currículo escolar e em uso no Currículo Integrador da cidade de São Paulo, analise as afirmativas a seguir. I. Significa desnaturalizar as hierarquizações e estratificações por idade, gênero, formas corpóreas e sexualidade, a fim de superar desigualdades sociais. II. Significa dar visibilidade aos atores, culturas e conhecimentos, pouco ou nada visíveis, como as culturas africanas, as culturas populares, indígenas, migrantes, crianças e bebês. III. Significa denunciar o projeto da cultura dominante, imposto durante o período colonial, para desqualificar seus valores e suplantá-los pelos das culturas historicamente menos favorecidas. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
A alternativa afirma que o sentido de "descolonização" no currículo se resume à ideia de desnaturalizar hierarquias de idade, gênero, corporalidade e sexualidade para enfrentar desigualdades. Esse conteúdo está de acordo com a abordagem do Currículo Integrador, que questiona classificações tomadas como naturais e produzidas historicamente. O problema é que a opção reduz o conceito, porque ele também envolve dar visibilidade a saberes e sujeitos silenciados, como explicita a afirmativa II.
- B)I e II, apenas.
A alternativa reúne as duas afirmativas que traduzem o sentido curricular de descolonização: de um lado, desnaturalizar hierarquias e estratificações socialmente produzidas; de outro, ampliar a visibilidade de culturas e conhecimentos historicamente marginalizados. Essa é a chave do conceito no Currículo Integrador da cidade de São Paulo, ligado à crítica da colonialidade e à ampliação de vozes no currículo. A afirmativa III escapa dessa lógica ao sugerir substituição de uma cultura dominante por outra, o que não corresponde ao objetivo de pluralização.
- C)I e III, apenas.
A alternativa sustenta que estão corretas a afirmativa I e a III. A primeira realmente dialoga com a descolonização ao criticar hierarquias naturalizadas, mas a terceira deturpa o conceito, porque descolonizar não é desqualificar integralmente a cultura dominante para impor outra em seu lugar. No currículo, a ideia é deslocar privilégios, ampliar referências e enfrentar silenciamentos, não trocar uma hegemonia por outra.
- D)II e III, apenas
A alternativa combina a afirmativa II com a III. A segunda está bem formulada, pois descolonizar o currículo implica reconhecer culturas e sujeitos pouco visíveis, como africanos, indígenas, populares, migrantes, crianças e bebês. Já a terceira erra ao transformar descolonização em um projeto de supressão da cultura dominante, quando o fundamento pedagógico é a crítica às hierarquias coloniais e a construção de um currículo mais plural.
- E)I, II e III.
A alternativa afirma que as três proposições estariam corretas. Isso não se sustenta porque as afirmativas I e II correspondem ao sentido atribuído à descolonização no currículo, mas a III o interpreta de forma equivocada. Em vez de propor a substituição de uma cultura por outra, o conceito busca denunciar assimetrias históricas e valorizar saberes diversos sem criar nova exclusão.
Gabarito: B
No Currículo Integrador da cidade de São Paulo, "descolonização" no currículo tem a ver com tirar o currículo do olhar único, branco, eurocêntrico e adultocêntrico, abrindo espaço para outras experiências, identidades e saberes. Em vez de tratar certos grupos como se fossem periféricos ou "exóticos", a ideia é reconhecer que eles também produzem conhecimento e cultura. Por isso, a afirmativa II está correta: descolonizar é dar visibilidade a atores e produções pouco reconhecidos, como culturas africanas, indígenas, populares, migrantes, crianças e bebês. Isso conversa com uma educação mais inclusiva e plural, em sintonia com a Constituição de 1988 e a LDB, que valorizam a diversidade cultural e o respeito às diferenças. A afirmativa I também está correta, porque o sentido de descolonização, nesse contexto, inclui desnaturalizar hierarquias de idade, gênero, corpo e sexualidade. Ou seja, o currículo não deve reforçar desigualdades como se fossem normais; ele precisa problematizá-las e enfrentá-las. Já a III extrapola o conceito. Descolonizar não é simplesmente trocar a cultura dominante por outras, como se fosse uma vingança curricular. O foco é ampliar vozes, criticar assimetrias históricas e construir um currículo mais democrático, e não inverter uma dominação por outra. Por isso, o gabarito B está correto: I e II apenas.