Charlot (2013) estabelece comparações entre a pedagogia tradicional e o Construtivismo, defendendo que este último opera uma ruptura fundamental em relação aos métodos tradicionais empregados pelos professores na educação escolar. Sobre as pedagogias em foco, assinale a afirmação correta.
- A)O exercício prático do Construtivismo consiste em ser dinâmico, moderno e inovador.
Errada, porque ser construtivista não é apenas ser dinâmico, moderno e inovador; isso é slogan, não definição pedagógica.
- B)A proposta da pedagogia tradicional consiste em dar aulas expositivas para alunos que se mantêm passivos.
Errada, porque a pedagogia tradicional não se resume a aulas expositivas com alunos passivos, embora essa seja uma característica comum do modelo.
- C)Ser construtivista é opor ao modelo tradicional da aula seguida por exercícios de aplicação um modelo em que a atividade vem primeiro.
Certa, porque contrapõe a lógica tradicional de explicação seguida de exercícios à lógica construtivista em que a atividade do aluno vem primeiro.
- D)No Construtivismo, com base nos achados de Vygotsky, o papel do professor é apenas o de acompanhar os alunos em processos construtivistas.
Errada, porque, embora Vygotsky valorize a mediação, o professor não fica apenas acompanhando passivamente; ele intervém e orienta ativamente a aprendizagem.
- E)A adoção de práticas construtivistas desfaz a tensão que há no ato de ensinar entre construir saberes e herdar um patrimônio cultural.
Errada, porque o construtivismo não elimina a tensão entre construir conhecimentos e transmitir patrimônio cultural; essa tensão continua existindo na escola.
Gabarito: C
Charlot trabalha a ideia de que a escola não pode reduzir o ensino a uma simples transmissão pronta e acabada, como muitas vezes acontece no modelo tradicional. Na pedagogia tradicional, a lógica mais comum é: o professor explica, o aluno escuta, depois faz exercícios de fixação. É um modelo centrado na exposição e na repetição, com o estudante em posição mais passiva. Já o construtivismo inverte essa ordem em vários aspectos. A aprendizagem parte da atividade do aluno, que precisa agir, investigar, comparar, levantar hipóteses e construir relações para produzir conhecimento. Por isso, a atividade não aparece só no fim, como aplicação do conteúdo; ela entra no começo do processo. É exatamente esse ponto que a alternativa C capta: ser construtivista é opor ao modelo tradicional da aula seguida por exercícios de aplicação um modelo em que a atividade vem primeiro. A ideia combina com a tradição piagetiana do sujeito ativo na construção do conhecimento e com leituras pedagógicas que valorizam a ação do estudante como ponto de partida. Mas atenção: construtivismo não significa professor decorativo, nem aula “moderninha” por si só. O papel docente continua sendo essencial para organizar situações de aprendizagem, provocar desequilíbrios cognitivos e orientar a construção do saber. Em provas da FGV, costuma cair exatamente essa diferença entre atividade como princípio do aprender e mera exposição com treino ao final.