X, criança incluída no espectro autista, sendo considerada pessoa com deficiência, estuda na Escola Estadual Beta. Por suas características, X demorava alguns instantes a mais, considerando o tempo de reação das demais crianças, para compreender os comandos verbais das professoras. Enquanto algumas professoras aguardavam até que X se posicionasse junto com a turma para executar as tarefas, outras iniciavam a execução das tarefas quando as demais crianças estivessem prontas, ainda que X normalmente não estivesse. O comportamento dessas últimas professoras mencionadas na narrativa
- A)observa plenamente o princípio da igualdade de tratamento entre todas as crianças.
Errada, porque tratar todos exatamente igual pode gerar exclusão quando há necessidades específicas de apoio e adaptação.
- B)evita que X seja privilegiada e, por tal razão, tenha sua evolução psicomotora comprometida.
Errada, pois aguardar o tempo de X não é privilégio; é uma medida de acessibilidade pedagógica e inclusão.
- C)configura uma barreira atitudinal que compromete a participação de X, nas atividades, em igualdade de condições com as demais crianças.
Certa, porque iniciar a tarefa sem considerar o tempo de reação de X cria uma barreira atitudinal que dificulta sua participação em igualdade de condições.
- D)consubstancia uma técnica inclusiva, criando no imaginário coletivo o nivelamento formal entre todas as crianças, evitando o surgimento de qualquer discrepância entre elas.
Errada, porque não se trata de uma técnica inclusiva, mas de uma prática que ignora as diferenças e prejudica a participação da aluna.
Gabarito: C
A questão gira em torno de inclusão escolar de estudante com deficiência, aqui considerando a pessoa com TEA. Em educação inclusiva, não basta colocar a criança na sala e esperar que ela acompanhe tudo no mesmo ritmo de todos. É preciso remover barreiras e oferecer condições para participação real, com apoio, adaptação e respeito ao tempo de aprendizagem de cada um. Quando algumas professoras começam a atividade sem aguardar X, apesar de saberem que ela precisa de alguns instantes a mais para processar os comandos, elas criam um obstáculo concreto à participação dela. Isso não é neutralidade nem igualdade bonita no papel. Na prática, é exclusão disfarçada de rotina. A Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015) trabalha com a ideia de barreiras, inclusive as atitudinais, isto é, atitudes e comportamentos que dificultam ou impedem o exercício de direitos e a participação da pessoa com deficiência em igualdade de condições. O caso descreve exatamente isso: a conduta das professoras impede que X acompanhe a atividade no mesmo contexto da turma. Por isso, o gabarito é a letra C. Em vez de adaptar o tempo e garantir acessibilidade pedagógica, as professoras acabam comprometendo a participação da estudante. Inclusão não é fazer todo mundo correr a mesma maratona no mesmo ritmo, mas permitir que cada um consiga participar de verdade.