“A internet é como uma grande vitrine de informações, mas não de conhecimento. Nela se tem contato com uma imensidão de elementos informativos, de tal forma que mal se assimila um conteúdo já se passa para outro.” Adaptado de CRUZ, J. M. O. “Processo de ensino-aprendizagem na Sociedade da Informação”. Educ. Soc., Campinas, vol. 29, n. 105, p. 1023-1042, set/dez 2008. O trecho descreve um fato que exige a remodelação de todos os aspectos dos processos educativos na contemporaneidade. Em relação a essas exigências, é correto dizer que
- A)o ensino deve ganhar mais importância que a aprendizagem na sociedade do conhecimento.
Errada, porque na sociedade do conhecimento a aprendizagem ganha centralidade, e não o ensino como mera transmissão.
- B)o currículo deve se adaptar à era da internet e tornar-se vitrine de informações disponíveis.
Errada, porque o currículo não deve virar só uma vitrine de informações, mas organizar saberes com sentido formativo e crítico.
- C)o papel do professor deve ser o de orientar os alunos para a navegação autônoma e significativa.
Certa, porque o professor deve mediar o uso da internet para que o aluno navegue de forma autônoma, crítica e significativa.
- D)o aluno deve desenvolver uma postura mais passiva e compatível com a função de leitor-navegador.
Errada, porque o aluno não deve assumir postura passiva, e sim ativa, reflexiva e participativa na construção do conhecimento.
- E)o ambiente escolar deve se apartar do mundo virtual para resguardar os valores humanísticos.
Errada, porque a escola não deve se afastar do mundo virtual, mas integrá-lo criticamente ao processo educativo.
Gabarito: C
A questão trabalha uma ideia central da educação na sociedade da informação: ter acesso a dados não significa, automaticamente, construir conhecimento. A internet amplia muito as possibilidades de consulta, mas também acelera o consumo de conteúdos, o que exige do aluno mais critério, seleção e interpretação. Em outras palavras, não basta navegar muito; é preciso saber navegar com sentido. Nesse cenário, a escola não pode ficar presa ao modelo de transmissão passiva. O papel do professor muda bastante: ele deixa de ser apenas a fonte de informações e passa a atuar como mediador, orientador e organizador de aprendizagens. Isso inclui ajudar o aluno a filtrar informações, comparar fontes, perceber confiabilidade e transformar informação em conhecimento. Por isso, o gabarito é a alternativa C. Ela expressa exatamente essa função docente de orientar os alunos para uma navegação autônoma e significativa. A ideia combina com abordagens pedagógicas contemporâneas, como o construtivismo e as propostas de mediação da aprendizagem, nas quais o estudante não é só consumidor de conteúdo, mas sujeito ativo na construção do saber. As demais alternativas seguem na contramão dessa lógica. Em educação, especialmente em tempos digitais, o desafio não é blindar a escola do mundo virtual, mas integrar criticamente as tecnologias ao processo formativo. O foco é formar leitores, usuários e produtores de informação com pensamento crítico, e não simples passageiros da avalanche informacional.