Nas escolas, não basta que os professores, isoladamente ou mesmo em conjunto, definam ‘como’ e ‘com que’ vão ‘passar’ um conteúdo preestabelecido, dando, assim, um carácter só de administração ao trabalho escolar; é necessário que se organizem para definir que resultados pretendem buscar, não apenas em relação a seus alunos, mas no que diz respeito às realidades sociais. GANDIN, Danilo. A Posição do Planejamento Participativo entre as Ferramentas de Intervenção na Realidade. Currículo sem Fronteiras, v.1, n.1, pp. 81-95, Jan/Jun 2001. Adaptado. Com base no trecho acima, é correto afirmar que os professores devem
- A)ter clareza relativamente aos métodos empregados na sua atividade pedagógica.
Errada, porque reduz o trabalho docente ao aspecto metodológico, quando o texto pede uma visão mais ampla e social do planejamento.
- B)restringir sua atividade ao âmbito técnico, evitando a interferência sobre os valores éticos do aluno.
Errada, porque defende uma atuação tecnicista e neutra, incompatível com a ideia de educação comprometida com a realidade social.
- C)praticar uma mentalidade de gestão em relação ao ensino, em termos de definição de meios e fins.
Errada, porque trata o ensino como gestão de meios e fins de forma administrativa, exatamente o que o trecho critica.
- D)focar mais organização de movimentos para a transformação social do que no ensino.
Errada, porque desloca o foco para ativismo social isolado e enfraquece o papel central do planejamento pedagógico do ensino.
- E)incluir uma perspectiva comprometida com a transformação da sociedade em seu planejamento.
Certa, porque expressa a necessidade de um planejamento escolar voltado também para a transformação da sociedade e não só para a transmissão de conteúdos.
Gabarito: E
O trecho de Gandin critica uma visão estreita de planejamento escolar, aquela em que o professor só decide meios e técnicas para “passar” um conteúdo já pronto. Para o autor, planejar não é apenas organizar aula, calendário e recursos: é definir objetivos e resultados que façam sentido para os alunos e para a realidade social em que a escola está inserida. Isso aproxima o planejamento de uma prática mais crítica e participativa. Em vez de tratar o ensino como mera administração de conteúdo, o professor precisa pensar no papel social da educação, na formação do aluno e na transformação da realidade. É a ideia de que ensinar sempre envolve intenção política, mesmo quando a sala de aula parece “neutra”. Por isso, o gabarito é a letra E. Ela traduz exatamente essa visão: o planejamento docente deve incluir uma perspectiva comprometida com a transformação da sociedade. Em outras palavras, a escola não existe só para transmitir informações, mas para formar sujeitos capazes de compreender e intervir no mundo. Esse entendimento conversa com a tradição do planejamento participativo e com a pedagogia crítica, muito associada a Paulo Freire, para quem a educação não é neutra e deve ser orientada por compromisso ético e social. Em concursos, quando aparecer oposição entre “técnica” e “transformação social”, desconfie: a banca costuma cobrar justamente essa leitura mais crítica da prática pedagógica.