A língua Palikur que as pessoas hoje falam é diferente do Palikur antigo que os mais velhos usam. Fazendo uma comparação de um idoso falando com um jovem as falas são totalmente diferentes, na pronúncia das palavras, nas novas palavras usadas pelos mais jovens. Os mais velhos falam com uma pronúncia bem clara, os sons das palavras são bem nítidos. Os mais novos pronunciam as palavras de modo diferente às vezes até nós mesmo Palikur, os mais velhos, não conseguimos entender a palavra que alguns jovens falam. HIPÓLITO, N. Palikur, uma língua ameaçada? Estudo do caso das aldeias Ywawka e Tawari. Disponível em: https://www2.unifap.br/indigena/files/2021/04/2009. Acesso em: 21 mar. 2023, p. 6. De acordo com o texto, é correto afirmar que
- A)há um conflito entre as gerações de falantes, em relação ao uso da língua Palikur.
Correta, porque o texto mostra uma diferença entre as gerações no modo de falar, com dificuldade de compreensão entre idosos e jovens.
- B)há uma contenda demonstrada na escrita das atividades escolares dos mais jovens.
Errada, porque o texto não fala de atividades escolares nem de escrita, mas da fala oral da comunidade.
- C)existe nítida convicção na normatização dos termos lexicais a serem usados por velhos e jovens.
Errada, porque não há normatização nem consenso sobre termos lexicais; o texto aponta justamente divergência entre os falantes.
- D)existe supervalorização alienada da pronúncia antiga dos falantes mais velhos Palikur.
Errada, porque não há ideia de exaltação da forma antiga, e sim de contraste entre modos de fala de gerações diferentes.
- E)a variedade de fala dos joven por ser a mais usada é misturada com a língua portuguesa.
Errada, porque o texto não trata de mistura com a língua portuguesa, mas de mudança interna na própria língua Palikur.
Gabarito: A
O texto mostra uma diferença de uso da língua entre gerações da comunidade Palikur: os mais velhos falam de um jeito e os jovens de outro, com mudanças na pronúncia e nas palavras usadas. Isso é um exemplo clássico de variação linguística, algo natural em qualquer língua viva. A língua não fica parada no tempo, ela muda conforme o grupo, a idade, o contato social e o contexto de uso. Na prática, o trecho revela que os mais velhos percebem a fala dos jovens como diferente a ponto de, às vezes, não entenderem certas palavras. Isso indica uma distância entre as variedades da língua dentro da própria comunidade, e não um problema de escrita, de norma escolar ou de português misturado. É a língua acontecendo no mundo real, com suas mudanças geracionais. Por isso, o gabarito é a letra A. O texto sugere um conflito entre gerações de falantes no uso da língua Palikur, porque há divergência clara entre a forma de falar dos idosos e a dos jovens. A ideia não é que uma forma seja necessariamente errada, mas que existe um afastamento linguístico que pode gerar estranhamento e até dificuldade de compreensão. Em Pedagogia e em temas educacionais, isso conversa com o respeito à diversidade linguística e cultural. A escola deve reconhecer que variação não é defeito, e sim característica das línguas. Quando a FGV traz esse tipo de texto, ela costuma testar se voce entende a diferença entre variação, preconceito linguístico e padronização.