Segundo Candau (2010), “Nas reflexões da literatura acadêmica, principalmente a partir dos anos 1990, faz-se cada vez mais presente a questão da identidade nacional e da reescrita das histórias do povo negro no Brasil, possibilitando a mobilização do debate sobre a colonialidade do saber, do poder e do ser, pois a história dos negros no Brasil foi invisibilizada na perspectiva da construção de uma nacionalidade em bases eurocêntricas”. Uma pedagogia que propõe a superação dos limites apontados pela autora é a Pedagogia
- A)Contemporânea.
Errada, porque “Pedagogia Contemporânea” é um rótulo amplo e não nomeia, de forma específica, a crítica à colonialidade tratada no enunciado.
- B)Libertadora.
Errada, porque a Pedagogia Libertadora, associada a Paulo Freire, enfatiza conscientização e emancipação, mas não é o conceito central usado aqui para a crítica à colonialidade.
- C)Integradora.
Errada, porque “Pedagogia Integradora” não corresponde ao debate sobre eurocentrismo, apagamento histórico e reescrita de narrativas negras.
- D)Decolonial.
Certa, porque a Pedagogia decolonial enfrenta a colonialidade do saber, do poder e do ser, exatamente o problema descrito no texto.
- E)Desconstrutora.
Errada, porque “Pedagogia Desconstrutora” não é a categoria teórica consagrada para explicar a superação da perspectiva eurocêntrica mencionada pela autora.
Gabarito: D
A ideia central da questão é a crítica ao modo como a história do Brasil foi contada por muito tempo: uma narrativa eurocêntrica, que apagou ou reduziu a presença negra, especialmente na formação cultural, social e política do país. Quando Candau fala em colonialidade do saber, do poder e do ser, ela aponta exatamente essa lógica de dominação que continua influenciando o que se considera conhecimento legítimo, quem tem voz e quais identidades são valorizadas. A proposta pedagógica que enfrenta esse problema não é apenas “incluir conteúdos” sobre a população negra, mas revisar a própria forma de produzir conhecimento, ensinar e interpretar a realidade. Ou seja, precisa questionar a herança colonial na escola e valorizar saberes, histórias e perspectivas antes invisibilizados. Esse é o coração da Pedagogia decolonial. A Pedagogia decolonial busca romper com a lógica eurocêntrica e com hierarquias culturais que tratam um grupo como padrão e os demais como desvio. Ela dialoga com debates sobre relações étnico-raciais, identidade e currículo, e conversa diretamente com a Lei 10.639/2003, que tornou obrigatória a temática História e Cultura আফro-Brasileira e Africana na educação básica. Por isso, o gabarito é a letra D. A questão não está pedindo uma pedagogia genérica “bonita no nome”, mas aquela que enfrenta a colonialidade e ajuda a reescrever a história a partir de outras vozes. É a escola deixando de ser vitrine de um único centro de mundo e virando espaço de disputa por reconhecimento e justiça simbólica.