“Imagine que o menino Max está ajudando sua mãe a guardar compras e coloca um chocolate dentro do armário verde. Ele vai até o pátio e, na sua ausência, a mãe pega o chocolate para fazer um doce e coloca o restante dentro do armário azul. Ela sai e Max retorna com fome. Onde Max vai procurar o chocolate? Se respondeu no armário verde, significa que conseguiu inferir que Max tinha uma crença diferente da realidade. A história de Max e do chocolate é um teste que foi desenvolvido por pesquisadores (Wimmer e Perner) na década de 1980 e tem como objetivo avaliar a compreensão de crenças falsas. A habilidade de compreender e interpretar características como percepções, sentimentos e desejos e reconhecer que os outros podem ter crenças e intenções diferentes das suas.” Adaptado de Santos, Teresa. Compreendendo as intenções dos outros. Invivo, Museu da Vida FIOCRUZ. 2022 O trecho acima descreve a teoria conhecida como
- A)Teoria da Mente.
Correta, porque a situação testa a capacidade de inferir crenças falsas e reconhecer que outra pessoa pode ter uma representação mental diferente da realidade.
- B)Teoria Sociocultural.
Errada, porque a teoria sociocultural de Vygotsky trata da mediação social e da aprendizagem, não especificamente da atribuição de estados mentais.
- C)Teoria da Integração Sensorial.
Errada, porque integração sensorial diz respeito ao processamento e organização de estímulos sensoriais, não à compreensão de crenças e intenções.
- D)Teoria do Comportamento Aplicada.
Errada, porque a análise do comportamento foca na relação entre estímulo e resposta observável, sem exigir a leitura de estados mentais do outro.
Gabarito: A
A situação narrada traz um clássico teste de crença falsa, usado para verificar se a criança entende que outra pessoa pode agir com base em uma informação errada. Em outras palavras, não basta saber o que é verdadeiro para você - é preciso perceber que a mente do outro pode representar o mundo de forma diferente da realidade. Isso é exatamente o que a Teoria da Mente estuda: a capacidade de atribuir a si mesmo e aos outros estados mentais como crenças, desejos, intenções, percepções e emoções. Quando Max sai, a mãe muda o chocolate de lugar sem ele ver. Se a criança entende isso, conclui que Max vai procurar no armário verde, porque é lá que ele acredita que o chocolate está. Esse tipo de raciocínio ficou famoso com a tarefa de Wimmer e Perner, dos anos 1980, muito usada na psicologia do desenvolvimento. Ela é associada a autores como Premack e Woodruff, que popularizaram a expressão Theory of Mind. Portanto, o gabarito é a alternativa A, porque o enunciado descreve exatamente a compreensão de crenças falsas e da perspectiva mental do outro. As demais opções não batem com o foco do texto: não se trata de aprendizagem social ampla, nem de integração dos sentidos, nem de análise de comportamento observável. Aqui o centro da questão é a mente do outro, e não só o comportamento por fora.