Há diversos modos de justificar a ideia de que a formação de professores deve ser um processo permanente. Entre eles, a concepção adotada pelo RCMJG, a qual tem lastro no pensamento de Paulo Freire. Segundo essa concepção, a formação permanente se fundamenta
- A)no intuito de qualificar o corpo docente para alcançar um maior desempenho em suas atividades.
Errada, porque reduz a formação permanente a mera qualificação técnica e desempenho, o que não expressa o sentido humanizador e crítico de Freire.
- B)na consciência humana a respeito da própria finitude e do inacabamento do seu conhecimento.
Certa, pois a ideia freiriana de formação permanente nasce da consciência de que o ser humano é inacabado e seu conhecimento é sempre limitado e em construção.
- C)no ideário segundo o qual cada indivíduo é o responsável pelo seu próprio aprimoramento.
Errada, porque transforma a formação em responsabilidade individual isolada, enquanto Freire valoriza o diálogo, a criticidade e a dimensão सामाजिक da educação.
- D)na necessidade de desenvolver a flexibilidade exigida atualmente pelas transformações no mercado.
Errada, pois relaciona a formação apenas às exigências do mercado, uma leitura mais adaptativa e instrumental, distante do fundamento humanista de Freire.
- E)no fato de que a formação universitária se tornou obsoleta desde a última virada de século.
Errada, porque Freire não considera a formação universitária obsoleta; ele defende a continuidade da formação para além da universidade, sem desprezar a base acadêmica.
Gabarito: B
Paulo Freire entende a formação permanente como algo ligado à própria condição humana: ninguém está pronto de uma vez por todas, porque somos seres históricos, inacabados e sempre em construção. Por isso, ensinar e aprender não são etapas separadas da vida do professor, mas um movimento contínuo de reflexão sobre a prática, diálogo e superação de limites. Na visão freiriana, a educação não é treinamento para executar tarefas, e sim um processo de conscientização. O professor aprende ao ensinar e ensina ao aprender, revisando sua atuação com base na realidade concreta da escola, dos alunos e do contexto social. É exatamente por isso que o gabarito é a letra B. Ela traduz a ideia central de Freire: a formação permanente se apoia na consciência da finitude humana e do inacabamento do conhecimento. Ou seja, você nunca vira professor em "versão final"; vira um profissional que se refaz no percurso. Essa lógica aparece em obras como Pedagogia da Autonomia, em que Freire destaca a incompletude como marca do ser humano e a necessidade de formação contínua como atitude ética e crítica. Então, se a banca cita um fundamento freiriano, pense logo em inacabamento, reflexão e permanente vir-a-ser.