Os jogos e brincadeiras fazem parte do patrimônio cultural dos povos indígenas e seu conhecimento e sua valorização são importantes para a reafirmação étnica desses povos. Portanto, a escola indígena e a não indígena têm o dever de identificar, problematizar e registrar as práticas corporais – jogos e brincadeiras tradicionais e propiciar, pela educação, sua transmissão como conhecimento historicamente acumulado e relevante para a formação humana”. FERREIRA, G. e PIMENTEL, Giuliano G. A. Educação física intercultural: diálogos com os jogos e brincadeiras Guarani. Horizontes – Revista de Educação, Dourados, MS, nº 2, vol. 1, julho a dezembro de 2013. De acordo com o texto, é correto afirmar que
- A)o equívoco de utilizar o espaço escolar para a transmissão de conhecimentos não elaborados deve ser desfeito a partir da escolarização do esporte como conhecimento sistematizado.
Errada, porque reduz a discussão a uma escolarização do esporte e desvaloriza saberes tradicionais, justamente o contrário do que o texto defende.
- B)a escola deve defender aulas práticas pedagógicas que direcionem o ensino pautado na produção esporte e lazer mais lúdicos e prazerosos para os alunos.
Errada, porque fica genérica e desloca o foco para um ensino mais lúdico, sem enfrentar a valorização cultural específica das práticas corporais indígenas.
- C)a criança tem que encontrar na escola um espaço favorável aos jogos, uma vez que ao jogar, ela assume vários papéis, faz descobertas sobre si e o outro e, com isso, tem uma formação exitosa.
Errada, porque fala do valor dos jogos para a criança em termos gerais, mas não responde ao núcleo do texto, que é a função cultural e identitária dessas práticas nos povos indígenas.
- D)a escola deve adotar o esporte e o lazer como elementos de releitura das práticas corporais dos povos originários e como elementos de revitalização cultural e de reforço das identidades indígenas.
Certa, porque articula esporte, lazer, práticas corporais e revitalização cultural como elementos de reforço das identidades indígenas, exatamente a ideia do texto.
- E)a Escola Nova é enfática na afirmação quanto à disciplina corporal como forma de homogeneização e controle para a efetiva formatação e docilização dos corpos envolvidos nas atividades de lazer.
Errada, porque atribui à Escola Nova uma visão disciplinadora e homogeneizadora que não é o tema do texto, além de se afastar completamente da educação indígena intercultural.
Gabarito: D
O texto bate numa ideia central da educação escolar indígena: a escola não deve apagar a cultura do povo, mas reconhecer, registrar e valorizar seus saberes, inclusive jogos e brincadeiras tradicionais. Isso conversa diretamente com a LDB, especialmente os arts. 78 e 79, que tratam de uma educação escolar intercultural e bilíngue, voltada à recuperação das memórias históricas, à reafirmação das identidades e à valorização das línguas e ciências indígenas. Perceba a lógica: não se trata de transformar essas práticas em algo estranho ao povo indígena, mas de tratá-las como conhecimento legítimo e historicamente produzido. Em outras palavras, a escola entra para somar, não para “corrigir” a cultura indígena. É quase o oposto daquele velho impulso de achar que só vale conhecimento se vier com carimbo de tradição europeia. Por isso o gabarito é a alternativa D. Ela traduz bem essa proposta de usar esporte e lazer, de forma crítica e intercultural, como meios de leitura das práticas corporais dos povos originários, reforçando identidades e revitalizando a cultura. A ideia central é de valorização e continuidade cultural, não de substituição ou homogeneização. Então, quando a questão fala em reafirmação étnica e transmissão desses jogos e brincadeiras como patrimônio cultural, ela está apontando para uma escola que reconhece a diversidade e trabalha com ela como conteúdo formativo relevante.