“O fato de o horizonte ser hoje o futuro da espécie humana, do planeta Terra e das novas tecnologias de divulgação da informação deveria levar a uma redefinição dos conteúdos e das formas de transmissão, de avaliação e de organização da escola. Não é isso, porém, que está acontecendo. Observa-se hoje uma contradição entre os novos horizontes antropológicos e técnicos da educação, por um lado, e, por outro, as suas formas efetivas.” Adaptado de CHARLOT, Bernard. “Educação e Globalização: uma tentativa de colocar ordem no debate”. Sísifo/Revista de Ciências da Educação, nº 4, out/dez, 2007. O trecho acima descreve a situação da escola em meio às transformações contemporâneas do mundo. De acordo com o texto, é correto afirmar que
- A)há um conflito inerente à relação entre as tecnologias informacionais e o ambiente escolar.
Errada: o texto não fala em um conflito inevitável entre tecnologia e escola, mas em uma defasagem entre as mudanças do mundo e as práticas escolares.
- B)as tecnologias contemporâneas tornam obsoleta a necessidade do aprendizado escolar.
Errada: o autor não sugere que a tecnologia torne o aprendizado escolar desnecessário, apenas que a escola precisa se redefinir diante das transformações.
- C)a escola tem falhado em acompanhar o ritmo das mudanças culturais e planetárias.
Certa: o trecho afirma que há contradição entre os novos horizontes da educação e as formas efetivas da escola, indicando atraso na adaptação.
- D)é preciso adaptar os atuais recursos tecnológicos às metodologias tradicionais de ensino.
Errada: o texto não propõe encaixar tecnologia em metodologias tradicionais, e sim repensar conteúdos, avaliação e organização escolar.
Gabarito: C
O texto de Bernard Charlot chama atenção para uma contradição bem comum na escola: o mundo muda rápido, com novas tecnologias, novos modos de comunicar e novas exigências sociais, mas a instituição escolar muitas vezes continua funcionando com a mesma lógica de antes. Em outras palavras, a sociedade avança, mas a escola nem sempre acompanha esse passo com a mesma agilidade. Isso não significa que a escola tenha perdido sua importância. Pelo contrário: ela continua essencial para formar leitura crítica, pensamento científico, convivência e acesso ao conhecimento. O problema apontado no texto é outro: as formas de ensinar, avaliar e organizar a escola não têm se reinventado na mesma medida em que mudam os horizontes culturais e tecnológicos. Por isso, o gabarito é a letra C. O enunciado afirma exatamente que existe uma distância entre as transformações contemporâneas e as práticas efetivas da escola, ou seja, que a escola tem falhado em acompanhar o ritmo das mudanças culturais e planetárias. É a clássica situação de correr com tênis novo e currículo velho. Nas discussões sobre tecnologias educacionais, a ideia central não é trocar professor por tela, mas integrar recursos digitais com intencionalidade pedagógica. A escola precisa dialogar com o seu tempo, e não fingir que o celular, a internet e as novas linguagens não existem.