O relatório para a Unesco, da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI, descreve a situação do mundo contemporâneo como repleta de novos desafios para a coesão das sociedades. Um desses fatores é a eventual tensão entre a crescente diversidade de modos de existência, individuais ou coletivos, e a necessidade democrática de estabelecer regras homogêneas. Nesse cenário, segundo o documento, é papel da formação:
- A)investir no desenvolvimento individual do alunado, livrando-os da necessidade de referências comuns;
Errada, porque a educação não deve livrar o aluno de referências comuns, mas sim ajudá-lo a conviver com elas em uma sociedade plural.
- B)padronizar as formas do ensino, de maneira a conformar a diversidade a um modelo único;
Errada, porque o relatório não defende padronização do ensino; ele valoriza a diversidade e a convivência democrática.
- C)privilegiar as formas de conhecimento abstrato, o qual está acima das diferenças individuais;
Errada, porque o documento não coloca o conhecimento abstrato acima das diferenças individuais, mas destaca a formação integral.
- D)focar o ensino técnico e profissional, deixando a cargo das famílias a transmissão de valores éticos;
Errada, porque a educação no relatório não se limita ao ensino técnico-profissional e também não transfere à família toda a formação ética.
- E)sustentar a sua função integradora, voltando-se para a inclusão e a adaptação à pluralidade.
Certa, porque a função da educação é integradora: incluir, reconhecer a pluralidade e ajudar na convivência com regras comuns.
Gabarito: E
O relatório da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI, da Unesco, conhecido como Relatório Delors, aponta quatro pilares da educação: aprender a conhecer, a fazer, a viver juntos e a ser. Quando o texto fala da tensão entre diversidade de modos de vida e a necessidade democrática de regras comuns, ele está tratando justamente do papel integrador da educação numa sociedade plural. A ideia não é apagar diferenças, nem transformar a escola numa fábrica de respostas iguais. Pelo contrário: a formação deve ajudar você a conviver com a diversidade, respeitar identidades distintas e, ao mesmo tempo, construir referências comuns que sustentem a vida coletiva. É a escola como espaço de convivência, cidadania e integração social. Por isso, o gabarito é a letra E. Ela traduz bem essa função integradora da educação, voltada para inclusão e adaptação à pluralidade. Isso conversa diretamente com o pilar "aprender a viver juntos", que é um dos pontos centrais do relatório. Em termos doutrinários, a Unesco defende uma educação capaz de formar sujeitos autônomos e, ao mesmo tempo, aptos a conviver democraticamente. Não é educação para isolar, padronizar ou reduzir o aluno a uma peça técnica, mas para integrar pessoas diferentes numa sociedade comum.