Por que a escola havia de permanecer, entre nós, isolada do ambiente, como uma instituição enquistada no meio social, sem meios de influir sobre ele, quando, por toda a parte, rompendo a barreira das tradições, a ação educativa já desbordava a escola, articulando-se com as outras instituições sociais, para estender o seu raio de influência e de ação? Ora, se a educação está intimamente vinculada à filosofia de cada época, que lhe define o caráter, rasgando sempre novas perspectivas ao pensamento pedagógico, a educação nova não pode deixar de ser uma reação categórica, intencional e sistemática contra a velha estrutura do serviço educacional, artificial e verbalista, montada para uma concepção vencida. Adaptado de A reconstrução educacional no Brasil: ao povo e ao governo, 1932. O texto, conhecido como Manifesto dos Pioneiros da Educação, se tornou um marco na educação brasileira por defender
- A)que todo indivíduo tinha o direito de ser educado até onde permitissem suas possibilidades econômica e social.
Errada, porque o Manifesto defendia a educação como direito de todos, e não condicionada às possibilidades econômicas ou sociais de cada indivíduo.
- B)que o programa curricular seja diferenciado entre as instituições municipais, estaduais e federais.
Errada, porque a proposta era de unidade e articulação nacional da educação, não de currículos diferentes por esfera administrativa.
- C)que o ensino seria dual, orientado por um currículo que separava as atividades manuais das intelectuais desde o primeiro ciclo.
Errada, porque o Manifesto criticava justamente a separação entre formação manual e intelectual e rejeitava o modelo dual de ensino.
- D)que a coeducação seria realizada em todas as instituições de ensino e que todos teriam direito a uma escola pública, gratuita e laica.
Certa, porque expressa a defesa da coeducação e de uma escola pública, gratuita e laica para todos, núcleo do Manifesto dos Pioneiros.
- E)que as escolas públicas estruturariam seus currículos e práticas a partir de uma perspectiva da educação integral de base confessional.
Errada, porque a educação defendida pelo Manifesto era pública e laica, não confessional, além de não se apoiar em uma estrutura curricular religiosa.
Gabarito: D
O trecho é do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, de 1932, um texto central da chamada Escola Nova no Brasil. A ideia principal era romper com a escola tradicional, que era vista como isolada da vida social, muito verbalista e pouco conectada às necessidades reais do país. Os pioneiros defendiam uma educação pública, gratuita, obrigatória, laica e comum a todos, sem separar meninos e meninas, porque entendiam a escola como direito social e instrumento de reconstrução nacional. Em vez de uma escola para poucos, a proposta era ampliar o acesso e organizar um sistema educacional mais democrático. Por isso, o gabarito é a letra D. Ela reúne exatamente dois pontos muito fortes do Manifesto: a coeducação e o direito de todos a uma escola pública, gratuita e laica. Essa visão dialoga com a tradição escolanovista e depois inspirou princípios que aparecem na Constituição de 1988 e na LDB, como a educação como direito de todos e o ensino público gratuito. As outras alternativas tentam misturar ideias que não combinam com o Manifesto, como currículo dual, educação confessional ou diferenciação entre redes de ensino. O texto pede a marca histórica do documento, e ela está na defesa de uma escola democrática e integrada à sociedade.