Um professor de Língua Portuguesa opta por usar letras de músicas contemporâneas em uma atividade pedagógica. Por meio dessa escolha, ele pretende não somente abordar aspectos linguísticos, mas também mergulhar nas camadas mais profundas de significado e contexto presentes nas composições. Ao selecionar músicas que dialogam com questões atuais e históricas, o professor almeja
- A)oferecer aos alunos uma visão panorâmica sobre as características estéticas dos diversos gêneros musicais.
Errada: essa alternativa fala em panorama estético dos gêneros musicais, mas o foco do enunciado é o sentido social e histórico das letras.
- B)estabelecer paralelos entre as técnicas de escrita utilizadas pelos compositores e as abordadas em textos literários.
Errada: a proposta não é comparar técnica de composição com texto literário, e sim analisar a relação da música com questões sociais e históricas.
- C)desenvolver nos alunos a capacidade de discernir entre a linguagem figurada e literal presente nas letras.
Errada: identificar linguagem figurada e literal é uma habilidade possível, mas é restrita demais para o objetivo descrito.
- D)incentivar uma análise crítica sobre a interseção entre a produção musical e os fenômenos sociopolíticos.
Certa: o professor quer promover leitura crítica da música em diálogo com contextos sociopolíticos atuais e históricos.
- E)explorar como as tendências internacionais são o fator determinante na forma da música popular brasileira atual.
Errada: a alternativa reduz a música brasileira a uma influência internacional determinante, o que não aparece no enunciado.
Gabarito: D
A questão trata de leitura de letra de música como texto, e não apenas como enfeite rítmico. Em Língua Portuguesa, a letra pode ser usada para trabalhar linguagem, sentidos, contexto de produção e relações com a realidade social. Ou seja, você não fica só no “o que está escrito”, mas também no “por que foi escrito assim” e “o que isso diz sobre o tempo e a sociedade”. Quando o professor escolhe músicas contemporâneas que dialogam com questões atuais e históricas, ele quer ampliar a interpretação do aluno. A ideia é perceber como a composição conversa com temas como desigualdade, identidade, política, memória, cultura e conflitos do presente e do passado. Isso exige leitura crítica, porque a música passa a ser vista como manifestação cultural e social, não só como objeto linguístico. Por isso, o gabarito é a letra D. Ela traduz exatamente essa intenção: incentivar uma análise crítica sobre a interseção entre a produção musical e os fenômenos sociopolíticos. Em outras palavras, a aula usa a música para discutir sociedade, contexto histórico e sentidos implícitos, que é um caminho muito comum em abordagens de leitura crítica e letramento. Esse tipo de proposta combina bem com a ideia de linguagem como prática social, muito trabalhada na pedagogia contemporânea e nos estudos de letramento. Então, quando a música entra na sala como texto vivo, ela ganha camadas, e o aluno aprende a ler o mundo junto com a letra.