A ética, em sua dimensão crítica e transformadora, é que referenda nossa luta pela inclusão escolar. A posição é oposta à conservadora, porque entende que as diferenças estão sendo constantemente feitas e refeitas, já que vão diferindo, infinitamente. Elas são produzidas e não podem ser naturalizadas, como pensamos habitualmente. Essa produção merece ser compreendida, e não apenas respeitada e tolerada. Nossas ações educativas têm como eixos o convívio com as diferenças e a aprendizagem como experiência relacional, participativa, que produz sentido para o aluno, pois contempla sua subjetividade, embora construída no coletivo das salas de aula.” MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão Escolar: O que é? Por quê? Como Fazer? São Paulo: Moderna, 2006. Com base na concepção de inclusão da autora, assinale a afirmativa que caracteriza corretamente sua proposta para uma “ética da inclusão”.
- A)Pode ser resumida na busca pela tolerância e pelo respeito.
Errada, porque reduzir a inclusão a tolerância e respeito é pouco para Mantoan, que defende uma postura crítica e transformadora.
- B)Compreende que as diferenças se caracterizam por um movimento contínuo.
Certa, porque a autora entende as diferenças como algo em constante produção e transformação nas relações sociais.
- C)Resulta na produção de espaços isolados para cada tipo de diferença.
Errada, porque a proposta inclusiva não separa os alunos em espaços isolados, mas promove convivência e participação.
- D)Parte de uma homogeneidade natural entre todos os indivíduos.
Errada, porque a inclusão parte do reconhecimento da diversidade, e não da ideia de que todos são naturalmente homogêneos.
- E)Exige o reconhecimento e tolerância das essências fixas dos alunos.
Errada, porque Mantoan rejeita a noção de essências fixas dos alunos e critica justamente a naturalização das diferenças.
Gabarito: B
Na concepção de Maria Teresa Eglér Mantoan, inclusão escolar não é só colocar o aluno na sala e pedir que ele “se adapte”. É mudar a escola para que ela reconheça que as diferenças não são defeitos a serem tolerados, mas algo produzido nas relações sociais e, por isso, sempre em movimento. Em outras palavras, a diferença não é uma peça fixa do quebra-cabeça; ela vai se construindo no convívio, nas experiências e nas interações. Por isso, a autora defende uma ética da inclusão crítica e transformadora: em vez de separar, classificar e naturalizar os estudantes, a escola deve conviver com a diversidade e fazer da aprendizagem uma experiência relacional e participativa. Isso combina bem com a ideia de educação inclusiva presente na LDB (Lei 9.394/1996) e na Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, que reforçam o atendimento educacional sem segregação. A banca FGV gostou de cobrar exatamente essa virada de chave: não basta falar em respeito e tolerância, porque isso ainda pode soar como algo passivo, quase um “aceito você, mas fico aqui no meu canto”. Mantoan vai além. Ela entende que as diferenças estão sempre sendo feitas e refeitas, isto é, estão em movimento contínuo, e a escola precisa compreender essa produção, não apenas suportá-la. Então, o gabarito B está correto porque traduz essa ideia dinâmica da diferença. A inclusão, para a autora, não trabalha com essências fixas nem com homogeneidade; trabalha com relações, convivência e participação, que é justamente o coração da proposta inclusiva.