Um grupo de educadores se une com o objetivo de fundar uma instituição de ensino. Diante dessa tarefa, concluem que a perspectiva de Planejamento Participativo é a que melhor se adéqua à sua visão. Pode-se concluir que o grupo deseja conduzir sua organização de modo que ela:
- A)considere o público para além dos objetivos internos, deixando-se orientar pelo seu grau de satisfação;
Errada, porque reduz o planejamento a satisfação do público, sem destacar o compromisso político e transformador típico do planejamento participativo.
- B)se assemelhe ao gerenciamento de empresas, focado em metas de ganho e nos meios para alcançá-las;
Errada, porque traz a lógica empresarial, voltada para ganho e metas de eficiência, que não é a base do planejamento participativo na educação.
- C)permita que os processos se desenrolem naturalmente, sem o controle que caracteriza as corporações;
Errada, porque o planejamento participativo não defende ausência de controle, mas sim participação organizada e intencional.
- D)se guie por parâmetros objetivos e verificáveis, prezando pela neutralidade no campo ideológico;
Errada, porque neutralidade ideológica e objetividade técnica lembram planejamento tecnicista, não participativo.
- E)empreenda um projeto de transformação social, colocando as ferramentas da gestão a seu serviço.
Certa, porque expressa o uso da gestão como instrumento de um projeto coletivo de transformação social, que é a marca do planejamento participativo.
Gabarito: E
O Planejamento Participativo nasce da ideia de que a escola não deve ser uma ilha burocrática nem uma empresa comum. Aqui, o planejamento é construído com a participação real dos sujeitos da comunidade escolar e, mais do que isso, orientado por um projeto de sociedade e de educação comprometido com transformação social. Em outras palavras: não basta organizar horários, metas e formulários - é preciso decidir para quê e para quem a instituição existe. Essa visão conversa com a gestão democrática prevista na Constituição Federal de 1988, no art. 206, inciso VI, e também com a LDB (Lei 9.394/1996), que valoriza a participação da comunidade escolar na organização do ensino. A lógica é: a gestão não é um fim em si mesma, mas uma ferramenta a serviço de um projeto educativo e social. Por isso, quando a questão fala em Planejamento Participativo, você deve pensar em engajamento coletivo, decisão compartilhada e compromisso com mudanças sociais. Não é um modelo centrado em lucro, nem em neutralidade fria, nem em deixar tudo “ir no improviso”. É uma escolha política e pedagógica, com a gestão servindo ao projeto coletivo. O gabarito está correto porque a alternativa descreve exatamente essa ideia: usar os instrumentos de gestão para viabilizar um projeto de transformação social. A escola, nesse caso, deixa de ser apenas uma estrutura administrativa e passa a ser espaço de construção democrática e emancipadora.